Líder do partido de Bolsonaro admite que governo não tem votos no Parlamento

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Publicado quinta-feira, 16 de maio de 2019 as 15:48, por: CdB

Segundo o dirigente do partido de Bolsonaro, o governo abriu negociação com partidos da Câmara para garantir votos para a aprovação da reforma da Previdência, tendo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, como o interlocutor de conversas com líderes partidários.

 

Por Redação – de Brasília

 

O governo Jair Bolsonaro começou a entender que o Poder Legislativo é um dos pilares da governabilidade, mas precisa se dar conta de que necessita de votos para aprovar as propostas de interesse no Congresso Nacional sem “aviltar” os seus princípios. A constatação é do presidente do PSL, o partido do governo, e deputado federal, Luciano Bivar (PE).

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Segundo o dirigente do partido de Bolsonaro, o governo abriu negociação com partidos da Câmara para garantir votos para a aprovação da reforma da Previdência, tendo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, como o interlocutor de conversas com líderes partidários sobre possíveis indicações.

— O governo tem que entender que ele precisa dos votos para fazer as reformas que ele quer sem, com isso, se aviltar. O governo já está entendendo que o Poder Legislativo faz parte da estrutura de governabilidade — disse o presidente do PSL à agência inglesa de notícias Reuters.

Princípios

Bivar reconhece que tanto Bolsonaro quanto os deputados do PSL foram eleitos a partir de um discurso anti-establishment. Mas afirma ser necessário entrar no jogo político sem que a bandeira de campanha impeça o governo de fazer articulação política.

Bolsonaro, que está em viagem aos Estados Unidos, disse em mensagem nas redes sociais, nesta quinta-feira, que jamais abrirá mão dos princípios fundamentais que sempre defendeu e com os quais a maioria dos brasileiros sempre se identificou.

“O Brasil pediu uma nova forma de se relacionar com os Poderes da República, e assim seguirei, em respeito máximo à população”, afirmou.

‘Rachadinha’

Apesar do discurso jacobino, Bolsonaro está em vias de ter seus sigilos fiscal e bancário quebrados, em investigações em curso sobre o envolvimento com desvio de recursos públicos e envolvimento com a milícia, no Rio de Janeiro. Os fatos têm repercutido de forma negativa junto aos parlamentares.

A quebra dos sigilos bancários e fiscal de 95 empresas e pessoas ligadas ao filho primogênito, o senador Flávio Bolsonaro, na época em que era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, amplia a suspeita de nepotismo e de “rachadinha (quando funcionários do gabinete repassam parte do salário para o político que os empregou)” por parte de seus familiares.

Ao todo, 12 dos investigados possuem parentesco com Ana Cristina Siqueira Valle, a segunda mulher de Jair Bolsonaro e mãe do filho mais novo do presidente, Jair Renan. Outros dois membros da família Siqueira Valle relataram terem devolvido até 90% dos salários na época em que trabalhavam no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Em nota, o senador Flávio Bolsonaro qualificou as matérias veiculadas na mídia conservadora sobre o assunto como ‘fake news’ (notícias falsas).

“O senador Flávio Bolsonaro se recusa a comentar uma suposta gravação a qual não teve acesso. É uma irresponsabilidade divulgar qualquer áudio sem que se saiba quem fala, quem grava e em que contexto a gravação foi feita. Em tempos de Fake News, esse tipo de conteúdo é uma armadilha que pode induzir os leitores ao erro e a julgamentos enganosos”, diz a nota.

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