Líder petista atribui violência no interior de Estados do Sul a ‘vândalos ou fascistas’

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Publicado segunda-feira, 26 de março de 2018 as 14:57, por: CdB

Lula disse que, apesar de alguns episódios de tentativa de agressões, o povo o tem recebido com carinho.

 

Por Redação – de Francisco Beltrão – PR

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as tentativas de agressão que vem sofrendo durante passagem de sua caravana pelo sul do país partem de um mesmo grupo “minoritário” de “vândalos ou fascistas”. Ele instou as autoridades a coibirem os atos de violência, e disse esperar que esse tipo de coisa não se repita durante as eleições.

— Espero que, quando chegar no auge da campanha, as pessoas estejam mais civilizadas — afirmou.

Queixa à polícia

Líder petista, Lula fala à multidão que o aguardava em São Miguel do Oeste
Líder petista, Lula fala à multidão que o aguardava em São Miguel do Oeste

Em entrevista à rádio local, em Francisco Beltrão, no Paraná, nesta segunda-feira, Lula disse que, apesar de alguns episódios de tentativa de agressões, o povo o tem recebido com carinho. Ele afirmou que um mesmo grupo, composto por cerca de 30 pessoas, persegue a caravana.

— Conseguimos identificar três pessoas, que eram de uma cidade vizinha. Foi dado queixa na polícia, e espero que daqui pra frente a polícia prenda esses elementos — afirmou.

Pedrada

O ex-presidente disse que protestar é normal, e lembrou que “passou a vida protestando”.

— Um cidadão pode fazer comício contra, pode fazer passeata; pode fazer jornal, dar entrevista; pode fazer tudo. Só não pode ser irresponsável de tacar pedra no ônibus. Ontem, uma pedra quase quebra o para-brisas. Se quebra, e pega no motorista, o ônibus poderia ficar desgovernado e acontecer uma coisa mais grave — alertou Lula.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na noite de domingo no centro de São Miguel do Oeste; para mais uma multidão de trabalhadores, estudantes, agricultores familiares e populares que se prepararam para receber a Caravana Lula pelo Brasil no interior de Santa Catarina.

Antes do evento de encerramento da jornada, a caravana foi atacada na estrada por grupos criminosos, segundo os organizadores, que a estão perseguindo desde o Rio Grande do Sul, sem reação da polícia e das autoridades.

‘Canalhas sem cara’

Antes do episódio, Lula havia visitado empreendimentos agrícolas familiares em Nova Erechim. E depois, teve o mesmo compromisso com trabalhadores de São Miguel. Ao encerrar a agenda do dia, o ex-presidente foi contundente com a agressividade dos “canalhas sem cara” que estavam atirando ovos do alto de um prédio vizinho ao ato público.

— Tem um canalha esperando que agente vá lá e dê um surra nele. A gente não vai fazer isso. Eu espero que a Polícia Militar tenha a responsabilidade de entrar naquela casa, pegar esse canalha e dar um corretivo nele. Esse cara ou é um débil mental ou não o menor apreço por qualquer ser humano. Esse canalha deveria saber que tem crianças aqui — alertou.

O pré-candidato à presidência da República lembrou outras disputas e derrotas, com resignação. E lembrou a ideia da caravana, a partir do início dos anos 1990, como uma forma de discutir projetos para um país continental, de acordo com a realidade de cada região.

— Em andei 91 mil quilômetros de barco, de trem, de ônibus, e nunca na minha vida eu vi a cena que eu vi começar de Bagé (no dia 19). A caravana começou por lá por que eu queria conhecer a universidade que eu criei. Esses canalhas colocaram alguns tratores na entrada para que eu não conseguisse entrar. Nós entramos. Nós saímos de lá, e em toda cidade que a gente foi, lá estavam eles — acrescentou.

Ameaças virtuais

Neste domingo, o coletivo Advogados e Advogadas pela Democracia, no Paraná, onde a comitiva de Lula chega nesta segunda-feira, propôs a formação de uma força-tarefa contra crimes e ameaças virtuais à caravana. A ideia é catalogar catalogar os episódios de ataque e encaminhar medidas penais.

“Pedimos a todas e todos que estejam atentas/os, printem as telas que encontrarem e enviem para o e-mail advogademocracia@gmail.com”, diz postagem do coletivo. “Caso conheçam o autor de postagem criminosa, gentileza nos enviar texto com nome e cidade, bem como outros dados que possam identificar a pessoa”.

A caravana do ex-presidente Lula pelo Sul do Brasil prossegue como o planejado; mesmo diante de ataques organizados de grupos fascistas. Estes deixaram um rastro de destruição e violência —inclusive contra mulheres— nos últimos dias. 

— Firmes e fortes, em favor da democracia, dos direitos do povo, da vida! A Caravana continua! — avisa a presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann.

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