Líder petista quer fortalecer movimentos populares em todo o país

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Publicado segunda-feira, 30 de julho de 2018 as 19:34, por: CdB

“A operação desmonte continuou com a chamada reforma trabalhista, que é uma desconstrução dos direitos trabalhistas no Brasil. No caso da reforma previdenciária, inicialmente, eles propunham praticamente acabar com o Benefício por Prestação Continuada”, alerta Patrus Ananias.

 

Por Redação, com Leonardo Fernandes/BdF — de Belo Horizonte

 

Patrus Ananias, 66 anos, é advogado, ex-prefeito de Belo Horizonte (MG), ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do Desenvolvimento Agrário, no governo da presidenta deposta Dilma Rousseff.

Patrus Ananias foi prefeito de Belo Horizonte e ministro nos mandatos do PT
Patrus Ananias foi prefeito de Belo Horizonte e ministro nos mandatos do PT

Atualmente, cumpre mandato como deputado federal na bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) e já anunciou que buscará a reeleição ao cargo; para seguir fazendo a luta pela redução das desigualdades na Câmara dos Deputados.

Uma das primeiras missões do mineiro durante os governos petistas foi chefiar o ministério responsável por um dos principais programas do primeiro mandato do ex-presidente Lula: o Fome Zero. O programa inaugurou uma série de políticas sociais dos governos petistas, que possibilitaram a retirada do Brasil do Mapa da Fome, em 2014.

Na semana em que começa a Caravana Semiárido contra a Fome, organizada pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), Patrus concedeu uma entrevista exclusiva ao semanário Brasil de Fato, na qual fala do recém-divulgado dado de crescimento da pobreza extrema depois do golpe de Estado de 2016; as razões e as saídas para essa triste realidade.

Leia, adiante, os principais trechos da entrevista:

— Recentemente, foi divulgado um dado de que a pobreza extrema cresceu no país, devolvendo o Brasil para o Mapa da Fome. Como o senhor, que foi um dos responsáveis pelo Fome Zero, recebe essa informação?

— Com uma dor enorme no coração. Aqueles dias de esperança que vivemos nos governos do presidente Lula, da presidenta Dilma, especialmente quando nós estávamos a frente do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, aqueles dados animadores, esperançosos, o Brasil saindo do Mapa da Fome, o Brasil reduzindo a mortalidade infantil. (…)

Desmonte

As pessoas melhorando suas condições de vida. E de repente esse retrocesso lamentável, a volta da fome, o aumento assustador das populações de rua, crianças e adolescentes voltando às ruas, algo que parecia um capítulo superado na história do Brasil: o aumento da mortalidade infantil, a fragilização do SUS; o Sistema Único de Saúde, do SUAS, o Sistema Único da Assistência Social; a redução do programa Bolsa Família. Então, tudo isso realmente nos deixa com o coração doendo, mas ao mesmo com muita indignação e muita determinação de continuarmos a nossa luta para revertermos esse quadro.

— Na sua opinião, o que levou o país a essa situação?

— A leitura que eu faço é que as forças do capital, as forças conservadoras, os serviçais do dinheiro, dos interesses econômicos, deram um golpe. Um golpe que continua. Deram um golpe afastando a presidenta Dilma sem que houvesse qualquer fundamentação jurídica, tanto é que ela saiu exercendo seus direitos políticos, sua cidadania, colocando a sua candidatura ao Senado aqui, por Minas Gerais.

Depois veio uma operação desmonte. Tudo o que era destinado e que dizia respeito aos pobres, às classes trabalhadoras e também à classe média assalariada, ou até mesmo, aos pequenos e médios empreendedores, começou a ser desmontado. Essa operação começa primeiramente com a Emenda Constitucional 95, que a meu ver, descaracteriza a nossa Constituição Cidadã.

Volta da fome

E a operação desmonte continuou com a chamada reforma trabalhista, que é uma desconstrução dos direitos trabalhistas no Brasil. No caso da reforma previdenciária, inicialmente, eles propunham praticamente acabar com o Benefício por Prestação Continuada, que garante o salário mínimo para pessoas idosas com mais de 65 anos e às pessoas com deficiência e incapacidade para o trabalho.

Junto com essa operação desmonte dos direitos sociais, a operação de desmonte do país, a entrega do Brasil, o comprometimento da nossa soberania. (…)

— A prisão do ex-presidente Lula também é parte desse golpe?

— Sim. Eu mencionei os capítulos do golpe, que foi o afastamento da presidenta Dilma, o desmonte dos direitos sociais, o desmonte da soberania nacional, e esqueci um fato fundamental, que é a prisão do presidente Lula; sem nenhuma fundamentação jurídica. (…)

— O senhor, que foi ministro do Desenvolvimento Agrário, acredita que a política do governo golpista para o campo tenha produzido esse resultado avassalador de retorno da fome ao país?

Movimentos populares

— Claro. Eles reduziram, praticamente eliminaram, os recursos da assistência social e também da agricultura familiar, da educação no campo. Agora estão tentando aprovar uma lei que libera a venda de agrotóxicos, de veneno sem limites na nossa agricultura. (…)

— Qual a saída para essa situação e de que forma isso estará refletido no programa de governo do PT para as eleições presidenciais?

— Eu penso que a saída está em fortalecer cada vez mais os movimentos sociais. Nós precisamos realmente voltar às bases, ter um contato mais direto com as pessoas, com as famílias, com as comunidades mais pobres. E nesse sentido nós temos um conjunto de entidades que são muito importantes.

Temos as entidades que compõem a Via Campesina, com destaque para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mas também o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), as mulheres camponesas, temos também um trabalho importante na área rural com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e das suas federações e sindicatos estaduais e regionais, a Contraf.

Grande mídia

Temos, também, a retomada dos movimentos sociais urbanos. Eu, pessoalmente, estou muito convencido de que é preciso aproximar cada vez mais a cidade do campo. Porque a questão da terra, a questão da água, ligando a questão social com a questão ambiental, dizem respeito tanto às áreas rurais como às áreas urbanas. Tem espaços de convergência entre esses dois temas fundamentais.

Portanto, eu considero que devemos colocar sempre na mesma linha a luta pela reforma agrária e a luta pela reforma urbana, nessa perspectiva da função social da propriedade, da função social da terra. (…)

Temos contra nós, também, a mídia, a grande mídia, manipulando, enganando. Então, na campanha eleitoral, e na militância política, social, temos que cumprir o papel pedagógico, de esclarecimento do momento que estamos vivendo e a importância da conscientização e organização das pessoas para que a gente possa retomar esse trabalho.

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