Líder saudita condena o terrorismo e critica Israel

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Publicado quinta-feira, 12 de junho de 2003 as 20:47, por: CdB

Enquanto a Casa Branca estigmatiza o Hamas como o maior obstáculo à paz no Oriente Médio em meio a uma onda de carnificina que prejudica um plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, Adel al-Jubeir, conselheiro do príncipe herdeiro Abdullah da Arábia Saudita, condenou o terrorismo, mas se recusou a condenar o Hamas diretamente, e centralizou suas críticas em Israel.

– Nosso ponto de vista vem sendo o de que nós somos contra o assassinato de indivíduos selecionados. Nós acreditamos que isso é moralmente errado – falou ele durante uma coletiva de imprensa.

– Eles (os assassinatos) não atingem nenhum objetivo além de abastecer o ódio e provocar reações e respostas, que por sua vez provocam mais reações e respostas, o que por sua vez mantém o ciclo de violência em movimento e acelerado – disse.

A região foi envolvida em uma onda de violência nesta semana, incluindo um ataque suicida a bomba de um palestino que matou 16 pessoas em Jerusalém na quarta-feira, e de ataques letais israelenses em Gaza.

Após falhar num atentado contra um líder do Hamas na terça-feira, um ataque com míssil israelense nesta quinta matou um militante importante do Hamas, sua esposa e sua filha de um ano de idade, entre um total de sete mortos.

Al-Jubeir negou que o governo saudita tenha dado dinheiro diretamente ao Hamas, dizendo que providenciou assistência aos palestinos empobrecidos por meio da Organização das Nações Unidas, do Crescente Vermelho Internacional e da Autoridade Palestina, como os Estados Unidos fizeram.

Mas ele confessou que o Hamas pode administrar algumas instituições que recebem a ajuda e que sauditas por conta própria possam ajudar a financiar a organização. A ajuda do governo saudita para as famílias palestinas, inclusive aos parentes de homens-bomba, era justificada, ele insistiu.

– Nós damos dinheiro às famílias palestinas que sofrem necessidade. Algumas destas famílias são famílias que tiveram um homem-bomba? Sim. Mas nós lhes damos dinheiro porque seu filho ou filha era um terrorista suicida? Não. Este dinheiro é um incentivo para aqueles que comete atos de terrorismo? Não – disse.

Al-Jubeir disse que famílias em necessidade não deveriam ser punidas porque um filho fez algo que as pessoas desaprovam. A maior parte da ajuda saudita é na forma de cobertores e comida, não em dinheiro, e “há registros disso”.

O Hamas assumiu a responsabilidade pelo ataque a bomba suicida de quarta-feira em um ônibus de Jerusalém. Ao ser questionado se condenada o Hamas, Al-Jubeir disse:

– Nós condenamos o terrorismo em todas as suas formas, seja perpetrado por um lado ou pelo outro.

Ele descreveu os novos controles impostos a bancos sauditas para combater o financiamento de grupos extremistas e disse que mais de 1.000 pessoas foram interrogadas e 300 presas desde o ataque terrorista a bomba de 12 de maio em Riad, que foi atribuído à Al Qaeda.

Washington também culpa a rede Al Qaeda, do militante saudita Osama bin Laden, dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos, que mataram mais de 3.000 pessoas.