Lira mostra os dentes para o PT e conflagra gestão na Câmara

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Publicado terça-feira, 2 de fevereiro de 2021 as 16:59, por: CdB

Como o bloco de Rossi passou ser considerado não existente, Lira determinou à Secretaria-Geral da Mesa Diretora o recálculo da distribuição dos cargos, desconsiderando as candidaturas para os demais cargos que foram indicadas por esse bloco.

Por Redação – de Brasília

A Câmara dos Deputados adiou para esta quarta-feira a eleição para os cargos de 1º e 2º vice-presidentes, quatro secretários e quatro suplentes da Mesa Diretora, depois que o presidente eleito da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), mostrou os dentes para o PT. A nova escolha é necessária após Lira revogar a decisão do então presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) de aceitar o registro do bloco de partidos que apoiou o candidato Baleia Rossi (MDB-SP). A revogação foi o primeiro ato de Lira, no cargo.

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Como o bloco de Rossi passou ser considerado não existente, Lira determinou à Secretaria-Geral da Mesa Diretora o recálculo da distribuição dos cargos, desconsiderando as candidaturas para os demais cargos que foram indicadas por esse bloco. A formação dos blocos parlamentares influencia a distribuição dos cargos da Mesa. Quanto maior o bloco, a mais cargos tem direito na Mesa.

“Primeiro ato de Artur Lira foi dar um golpe na oposição para mandar na mesa da Câmara. Violência contra a democracia. Mostrou que será um ditador a serviço de Bolsonaro”, disse Gleisi Hoffmann (PT-PR), no Twitter.

Polêmica

A decisão gira em torno de polêmica sobre o horário de envio do pedido do PT, do PDT e do PSB para adesão e formalização do bloco que reúne PT, MDB, PSB, PSDB, PDT, Solidariedade, PCdoB, Cidadania, PV e Rede. Esses partidos argumentaram que tiveram problemas técnicos para enviar o pedido de formação do bloco pouco antes do prazo final, ao meio-dia de segunda-feira. A manobra é muito parecida com a prática do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso após ser condenado por corrupção.

Na ocasião, Rodrigo Maia aceitou o argumento e deferiu a formação do bloco. Na reunião que definiu a distribuição dos cargos, no entanto, ocorreram contestações de partidos que apoiaram Lira. O 1º vice-presidente da gestão de Rodrigo Maia, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), questionou a decisão de Maia. Pereira disse que os aliados de Baleia Rossi perderam o prazo.

— Não houve problema no sistema, nós temos uma certidão. Eles perderam o prazo. O prazo era meio-dia, e ele (Rodrigo Maia) está deferindo o PT no bloco do outro candidato, um bloco que não existe — disse Pereira, após deixar, em protesto, a reunião de líderes realizada antes da eleição desta segunda-feira.

Aliciamento

Segundo o líder da Minoria, deputado José Guimarães (PT-CE), o bloco que apoiou Arthur Lira queria ganhar a eleição no tapetão e impedir o PT de fazer a segunda escolha.

— Isso não tem o menor fundamento. É uma questão política grave. Querem ganhar. Se não bastasse o aliciamento que o governo Bolsonaro fez tentando levar parlamentares para o outro lado, agora querem ganhar no tapetão. Nós tentamos até 11h59 no meu telefone. Eu mostrei o print (de conversa com o secretário-geral da Mesa) — afirmou.

Naquele momento, Arthur Lira disse que não tinha interesse em tumultuar a eleição e que ganharia “no voto” para que todos os deputados tenham “representatividade e voz”.

O deputado Alexandre Padilha (PT-SP) também protestou, pelas redes sociais. “Lira, na pegada do bolsonarismo ditatorial, no seu 1⁰ ato, tenta aniquilar seus adversários. Não reconhece o bloco formado com vários partidos que apoiaram @Baleia_Rossi, exclui o PT da 1ª secretaria e impede que qualquer partido, que não do seu bloco, ocupe as 6 primeiras vagas”, escreveu.

Cadeiras na Mesa

Sem o bloco, PT, MDB, PSB, PSDB, PDT, Solidariedade, PCdoB, Cidadania, PV e Rede perdem poder de barganha na disputa pelo cargos da Mesa. Esses partidos anunciaram que vão ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra tal decisão.

— Embora Lira até possa fazer um discurso de conciliação, não creio que vá abrir mão do poder que tem. O que ele está fazendo é manter essas posições de poder. Além da cadeira da presidência, interessa também ter os outros cargos da mesa diretora e a presidência das comissões — afirmou o cientista político Cláudio Couto, coordenador do Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Com a dissolução do bloco da oposição, o conjunto de legendas que apoiou Lira leva vantagem nessa disputa, de acordo com o analista.

— Essa é a jogada: impor-se numa condição de força. O entendimento vai ficar mais para frente, se for o caso — resume Couto.