Lúcia Souto é eleita presidente do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde

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Publicado segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018 as 11:16, por: CdB

Coube a Cornelis van Stralen, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (FAFICH/UFMG) e presidente da entidade, abrir a sessão e passar o bastão a Lúcia Souto, para liderar a entidade no biênio 2018-2019.


Por Redação, com ACS – do Rio de Janeiro

Aclamada como nova presidente do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde – Cebes – em seu quinto e último simpósio nacional, realizado no fim de novembro, Lúcia Souto e a nova diretoria da entidade foram oficialmente empossados na manhã de 31 de janeiro. A atividade aconteceu no Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz (CEE-Fiocruz) e foi celebrada juntamente com uma reunião entre lideranças do movimento sanitário e médico do Rio de Janeiro com parlamentares ligados à Frente Brasil Popular.

Lúcia Souto assumiu, por aclamação, a Presidência do Cebes
Lúcia Souto assumiu, por aclamação, a Presidência do Cebes

Coube a Cornelis van Stralen, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (FAFICH/UFMG) e presidente da entidade, abrir a sessão e passar o bastão a Lúcia para liderar a entidade no biênio 2018-2019. Ele desejou sucesso à nova presidente.

Reafirmou, ainda, sua participação no corpo da nova diretoria e reforçou a necessidade de o Cebes reforçar seu caráter político-organizativo e a tradição de dialogar sobre saúde com a população.

Reforma

Para ele, essa perspectiva só ganhará força se o Cebes voltar a apostar no fortalecimento dos núcleos regionais, com uma doação militante de conhecimento e acolhimento.

— Não há como cobrar de pessoas submetidas a jornadas e condições de trabalho tão extenuantes uma visão mais clara da conjuntura. Cabe a nós sujar os sapatos na poeira dos bairros e periferias e construir essas pontes. Há uma militância disposta a sair da academia e abrir esse canal de comunicação — frisou van Stralen.

Ele ressaltou, contudo, que essa tarefa é maior do que o Cebes e o movimento da Reforma Sanitária brasileira.

— É uma tarefa muito grande, que não pode nem deve feita sozinha pelo Cebes. Se dermos as mãos uns aos outros, teremos mais força — disse.

Espírito de 88

A nova presidente iniciou seu discurso com um caloroso abraço a todos os presentes, destacando os eixos da soberania, da democracia e dos direitos sociais como nortes centrais da gestão que inicia. Ressaltou também seu orgulho frente à tradição do Cebes e seu papel decisivo para a construção do SUS.

— A luta pelo direito à saúde não foi trivial. A última plenária da 8ª Conferência Nacional de Saúde (8ªCNS) durou mais de 24 horas. Mas todos que estávamos lá sabíamos da responsabilidade e do peso histórico. Havia no ar um espírito de felicidade pública, como disse Hannah Arendt. É a construção da história e de uma outra realidade que mobiliza e faz as pessoas se engajarem — rememorou Lúcia.

Médica sanitarista e doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), Lúcia milita em prol da sociedade desde os tempos da graduação em medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na década de 1970.

Documentário

Formada, juntou-se aos movimentos populares da saúde e elegeu-se deputada estadual por duas legislaturas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Atualmente, Lúcia é pesquisadora associada do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da ENSP/Fiocruz.

No ano em que o SUS celebra seus primeiros 30 anos, Lúcia acredita que a sociedade brasileira vive um novo momento de encruzilhada semelhante ao que viveu a Europa no final da 2ª Guerra Mundial que o cineasta Ken Loach sintetizou no documentário O Espírito de 45.

— Ninguém aqui está desmoronado. Estamos dispostos e entendemos o atual momento como um ponto crucial na disputa de projetos em nossa sociedade. A luta pelos direitos sociais, em especial pelo direito à saúde, é uma marca exemplar do nosso povo. Precisamos acender em nós o espírito de 1988 e fazer do SUS a marca desse espírito e o bem público e comum que defendemos e seguiremos defendendo de maneira intransigente — afirmou.

Elite excludente

Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, saudou Lúcia. Numa quebra de protocolo, expôs sua visão particular sobre o atual cenário político nacional; reafirmando que o momento é de ânimo. E de disposição para os enfrentamentos postos no debate social.

— Precisamos aprofundar nosso olhar e intervenção sobre os aspectos subjetivos da sociedade brasileira, que vem mudando rapidamente. Percebo um medo e uma raiva muito fortes nas camadas médias de nosso país; ao mesmo tempo que movimentos e segmentos irrompem a cena política, trazendo novos elementos a nossa sociedade; ainda que historicamente marcada por uma elite excludente — concluiu.

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