Lula admite candidatura à reeleição

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Publicado segunda-feira, 1 de dezembro de 2003 as 08:28, por: CdB

Em seu décimo-primeiro mês de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já admite ser candidato à reeleição em 2006. Lula deixou claro, porém, que só vai lutar pela permanência no cargo caso acredite, ao final dos seus quatro anos de governo, que possa fazer um segundo mandato melhor que o primeiro. Em entrevista ao programa “Canal Livre”, exibido na noite deste domingo pela Rede Bandeirantes de televisão, Lula disse que não quer se “afundar” ao ser reeleito, como aconteceu, na opinião dele, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

-Eu posso decidir ou não pela reeleição. A minha tese é a seguinte: alguém só pode ser candidato à reeleição se perceber que no segundo mandato pode fazer mais que no primeiro. Porque se ele tiver confiança de que não pode, não seja louco, não seja candidato, porque vai afundar. Foi o que aconteceu com o nosso amigo Fernando Henrique Cardoso- enfatizou.

Lula disse ter “obsessão” não pelo cargo de presidente da República, mas pelas políticas públicas “que podem mudar a vida do povo”. Na avaliação do presidente, a alternância de poder é uma prática positiva no Brasil e permite ao administrador público não se viciar diante da estrutura pública.

-Eu acho que você não pode nunca ficar muito tempo no poder. Você fica viciado, você vai se adaptando à máquina, você vai permitindo que coisas boas não te aconteçam. Então, eu sou favorável à alternância no poder, acho que um partido pode ter um projeto mais longo, mas acho que esse projeto pode ser construído pelo seu partido, por uma aliança política, que não precisa ser o seu próprio partido. Agora, é muito cedo para a gente falar quanto tempo nós queremos. Nós vamos trabalhar para ficar o tempo possível- afirmou.

Reforma Ministerial

Se a reeleição ainda é um assunto que será discutido ao longo dos próximos anos pelo presidente, a reforma ministerial é um tema que está mais próximo de seu dia-a-dia na Presidência. Lula, entretanto, disse que vai promover mudanças em seu primeiro escalão “no momento certo”, e não adiantou quando pretende colocar em prática as modificações em seu Ministério.

-Você, quando avisa que vai tirar um ministro com muita antecedência, cria um embaraço muito grande para o funcionamento do próprio ministério dele. E, se você anuncia alguém com muita antecedência, pode criar uma ciumeira tal que, em vez de ajudar, te atrapalha. Então, eu sou da época em que a gente fazia acordos ‘tête-a-tête’. Você não precisava ter um documento- desabafou.

Lula aproveitou para tranqüilizar muitos de seus colaboradores diretos e disse que cada um tem um tempo certo na vida para colocar em prática as suas principais ações.

-Um gosta de ser mais apressado, outro mais lento, outro de dar uma paradinha no meio do caminho. Eu tenho que trabalhar com isso, porque às vezes uma pessoa que não conseguiu fazer tudo o que está fazendo agora pode fazer. É por isso que um técnico nunca troca o jogador antes de terminar o 1º. tempo. Ele está sempre na expectativa de que aquela pessoa é tão boa que no segundo tempo vai deslanchar- enfatizou.

E deu um recado direto ao peemedebistas que aguardam por cargos no governo: “Eu me reuni com a direção do PMDB e disse: vocês vão para o governo, vamos aguardar votar a reforma (da Previdência), porque não me interessa fazer nada precipitado que passe para a sociedade a idéia do fisiologismo. Não é bom para o PMDB, não é bom para o governo e não é bom para ninguém”.

Radicais do PT

Lula aproveitou a entrevista para “quebrar o silêncio” sobre os membros do PT que insistem em votar contra o governo e criticar abertamente as principais ações comandadas pelo presidente e, por isso, estão ameaçados de expulsão pelo partido. Segundo Lula, não é papel do presidente da República julgar o comportamento de parlamentares. Mas ele deixou claro que, ao fazer a opção por se filiar a um partido político,