Lula critica ocupação de territórios palestinos

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Publicado quarta-feira, 3 de dezembro de 2003 as 18:26, por: CdB

A menos de um mês do Brasil assumir uma cadeira temporária no Conselho de Segurança das Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva criticou, em jantar oferecido pelo presidente sírio em Damasco, a ocupação de territórios palestinos, a manutenção e a expansão de assentamentos, que taxou de “inaceitáveis”. Apoiou iniciativa árabe da paz, que, segundo ele, oferece alternativas convergentes para um estado palestino independente. “O direito de um povo exercer soberania sobre seu território é inalienável”.

Além disso, Lula afirmou que o Brasil defenderá, por meio de voto, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas a devolução à Síria das Colinas de Gola, atualmente sob o controle de Israel. Lamentou a guerra no Iraque e cobrou maior envolvimento da ONU e Estados Árabes no esforço de reconstrução daquele país.

O presidente brasileiro defendeu, inclusive, a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, contando com representantes de países em desenvolvimento entre os seus membros permanentes. “Somente, assim, terá a legitimidade indispensável para que as suas ações sejam efetivamente respeitadas”, disse. No entanto, salientou que o Brasil quer uma vaga no Conselho mesmo que não tenha direito a poder de veto.

O assessor especial da Presidência da Republica para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ressaltou que a Síria foi “muito simpática” ao pleito do Brasil de assumir posto permanente no Conselho de Segurança.

Por último, o presidente brasileiro reforçou as ligações culturais entre os povos da Síria e do Brasil. “Minha visita retraça a viagem que muitos sírios fizeram em direção ao Brasil, em busca de novas perspectivas de vida”, completou.

Tensão histórica

Bashar Al-Assad, por sua vez, lembrou que há 50 anos a situação entre israelenses e árabes tem piorado. “Tudo isso produto da ocupação de territórios árabes por parte de Israel e de sua negativa quanto à aceitação dos requisitos da paz justa e abrangente”, discursou.

O presidente sírio destacou que as políticas de escalada e extremismo adotadas pelo governo de Israel e as agressões contra o povo árabe na Palestina, Líbano e Síria poderão resultar nas mais graves conseqüências.

Ele afirmou que o povo sírio tem expressado o desejo de que a paz no Oriente Médio seja restabelecida, com base nas resoluções da legalidade internacional e nos princípios da
Conferência de Paz de Madri, celebrada há mais de dez anos. Ressaltou, também, que o povo iraquiano vive em situação dura e carente das condições de uma vida digna, após a ocupação
americana e britânica. “Prevalace um ambiente de caos, distúrbio e falta de esperança”.

Bashar Al-Assad propôs que o povo iraquiano volte a ter o direito de controlar o destino do país (auto-determinação) o mais rápido possível para cumprir suas missões.