Lula diz no Egito que globalização exige aumento de relações

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Publicado terça-feira, 9 de dezembro de 2003 as 09:52, por: CdB

O presidente do Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva, propôs no Cairo, no Egito, o incremento das relações entre “os países emergentes” como único meio para que os povos menos favorecidos enfrentem a era da globalização.

“Temos que privilegiar nossas relações porque o momento globalizado em que vivemos nos exige que sejamos mais ousados e criativos”, afirmou em um discurso ante empresários brasileiros e egípcios na viagem que realiza pelo Oriente Médio. “Queremos vender, mas também comprar. Sou dos que pensam que os bons negócios são aqueles nos quais ganham as duas partes, não uma só”, disse, após advertir que “essa é a maneira que nossos povos possam viver melhor”.

Lula fez estas declarações pouco antes da assinatura, ontem à noite, de um acordo de cooperação entre Brasil e Egito no primeiro dia de sua estadia nesta capital, onde pela manhã se tinha reunido com seu colega egípcio, Hosni Mubarak.

Depois de conseguir o respaldo do líder do Cairo à convocação em 2004, no Brasil, da primeira cúpula entre a América Latina e o Mundo Árabe, o presidente tem previsto reunir-se hoje com o secretário-geral da Liga Árabe, Amro Musa, com o objetivo de obter seu apoio a esse projeto.

Integrada por 22 países, a organização pan-árabe foi fundada em 1945, o que lhe converte no mais antigo bloco regional do mundo. A busca de acordos de cooperação entre a Liga e Mercosul é um dos propósitos da cúpula presidencial do próximo ano.

Depois da reunião com Musa, Lula irá à tarde a Trípoli, na Líbia, onde será recebido pelo líder Muamar Gadafi, encerrando a viagem pelo Oriente Médio.

Viagem histórica e comércio no foco

Antes da Líbia, Lula passou pelo Egito, Síria, Líbano e Emirados Árabes, países nos quais tratou de impulsionar as relações comerciais bilaterais e conseguiu respaldo à cúpula de 2004 em território brasileiro.

Qualificado de “histórico”, o périplo é o primeiro de caráter oficial de um chefe de Estado brasileiro pela região, que anteriormente só tinha sido visitada pelo imperador Dom Pedro, que em 1876 fez uma viagem ao Egito.

Lula viaja acompanhado por uma importante delegação governamental, de homens de negócios e de parlamentares, assim como pelo ex-chefe de Estado argentino e atual presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, Eduardo Duhalde.

Com um paralelismo de relações políticas e econômicas que até agora centralizou mais nos países vizinhos, Estados Unidos e União Européia (UE), o Brasil registra com o Egito um intercâmbio comercial que só neste ano alcançou os US$ 500 milhões.

E as exportações do Brasil aos cinco países incluídos na viagem apenas representam 45% de suas vendas ao conjunto de estados árabes entre janeiro e outubro do presente ano, o que segundo fontes diplomáticas demonstra a necessidade de um incremento das relações multilaterais entre o Brasil e as nações da região.

Segundo as fontes, esse aumento dos interesses partilhados poderia servir de exemplo ao que poderia registrar-se em geral entre a América Latina e o Mundo Árabe e que, nas palavras de Lula, deveria acontecer “em todos os campos”.