Lula fora, as candidaturas imagináveis

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Publicado quinta-feira, 8 de março de 2018 as 17:03, por: CdB

O colunista gaúcho, Moysés Pinto Neto, é filósofo de formação, mas seus textos publicados no Facebook sobre a situação política brasileira lhe qualificam como um dos nossos melhores politólogos, mesmo porque os antigos intelectuais da esquerda não conseguem raciocinar além dos limites impostos pelo aparelho petista. Neste período em que muitos marxipetistas insistem em repetir o mesmo, talvez sem Qi para visualizar o futuro, aconselho quem quer sair do ranço esquerdopetista, para se inscrever como amigo do Moysés Pinto Neto no Facebook, e acompanhar os parágrafos de lucidez e visão com que ele nos brinda a cada semana. Neste texto, pescado no Facebook, Moysés Pinto Neto faz algumas oportunas avaliações sobre as próximas eleições. (Nota do Editor Rui Martins)

Por Moysés Pinto Neto, de Porto Alegre:

Alternativas para se evitar o fascista Bolsonaro

(Primeira observação)

A relação idolátrica com Lula e o PT parece impedir a esquerda de debater as eleições de modo racional e pensando efetivamente vai acontecer. A reflexão e o pensamento ficam bloqueados pela indignação moral. Que tal começarmos a refletir sobre a estratégia para as eleições a partir de dois pontos:

(1) Lula não vai chegar até o fim das eleições. O registro não será autorizado e talvez até lá esteja inclusive preso. O máximo que conseguirá será colocar seu “poste” no segundo turno.

(2) Qualquer poste lulista — Haddad, Wagner ou Amorim — não vai ganhar no segundo turno. Haddad não chega a 20% em SP, seu nicho original de votos.

Portanto, a seguir essa lógica — e veja que estou simplesmente olhando para as coisas do ponto de vista descritivo — Lula leva o poste para perder no segundo turno.

Quem pode ir para o segundo turno agora? Até esse momento, o favorito é Bolsonaro — e ele leva contra o poste. Portanto, do jeito que está, vamos acabar tendo que votar no Alckmin para evitar que Bolsonaro leve o pleito por incompetência dos adversários.

Podemos pensar isso melhor.

Se houver uma candidatura melhor do campo progressista, é possível que arrastemos o problema para o lado de lá, fazendo com que Alckmin e Bolsonaro disputem a vaga da direita.

Com sorte, poderíamos até imaginar cenários melhores que esse.

Mas para isso seria necessário poder imaginar. Algo que a brigada lulista, atualmente, simplesmente não permite.

(Segunda observação)

Como disse nos comentários do outro post, a melhor saída nas linhas tendenciais da atual conjuntura — sem pensar em nenhum acontecimento — seria a formação de duas alianças: Ciro (PDT) e Haddad (PT), de um lado, e Marina (Rede) e Joaquim Barbosa (PSB), de outro.

Eles formariam duas frentes fortes e cumpririam a tarefa, junto com Alckmin, de desidratar Bolsonaro: Ciro, com a postura de “machão” que agrada muito do eleitorado do B; Barbosa, por causa do histórico no STF; Alckmin pela disputa pelo campo da direita. Haddad atrai o voto da esquerda lulista e boa parte da não lulista; Marina, por sua vez, tira votos de Alckmin no campo social-liberal, disputando um território que vai dos ecologistas de centro-esquerda até os liberais de centro-direita — e ainda pode, junto com Barbosa, figurar como outsider.

Com essa configuração, acho que poderíamos ter a hipótese que nos foi cassada em 2014 de ter um segundo turno entre duas forças progressistas, virando totalmente o tabuleiro da “onda conservadora” que povoa o país.

Se esse cenário se configurasse, poderíamos focar atenção nos dois pontos que realmente importam: o parlamento e um programa de futuro, e ganhar tempo com as melhores forças disponíveis (lembro: na minha opinião Lula já é carta fora do baralho) na centro-esquerda enquanto isso.

É o único cenário em que não vejo Alckmin ou Bolsonaro levarem a próxima eleição.

PS: Sim, é um raciocínio meramente hipotético. Sim, nenhuma das chapas me agrada totalmente. Se dependesse das minhas convicções de fundo, hoje votaria nulo.

PS2: Não, acho que não vai acontecer. O PT deve lançar o poste, seja lá quem for, e Marina deve ficar sozinha e desidratada se não conseguir compor uma aliança substantiva.

Moysés Pinto Neto, doutor em Filosofia pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul, professor na Faculdade de Direito da Universidade Luterana do Brasil, Porto Alegre.

Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.

 

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