Lula responde críticas de Fernando Henrique

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Publicado terça-feira, 17 de junho de 2003 as 16:58, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta terça-feira, durante seu discurso na 11ª Fenadoce, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, as críticas dirigidas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao governo petista. FHC acusou na última segunda-feira Lula de dar continuidade à política econômica do PSDB e ironizou a expressão “herança maldita”, utilizada pelos petistas em referência à gestão anterior.

– Qualquer outro poderia errar, eu não posso. Qualquer outro poderia errar e ir morar na França. Eu vou ficar em São Bernardo – disse Lula.

Ao terminar seu mandato, o ex-presidente Fernando Henrique foi morar em Paris.

– Os que agora criticam a política econômica não tiveram a coragem de criticar em dezembro, quando os mesmos não sabiam se teríamos condições de tirar o país do buraco em que o encontramos – continuou.

Lula também fez questão de ressaltar que reuniu os 27 governadores para discutir as reformas, fato que “Fernando Henrique não conseguiu em oito anos”.

– Nós estamos com cinco meses de governo, e tem gente achando que a gente já deveria ter feito o que os outros não fizeram em 40 anos – atacou Lula.

Reformas

Lula falou nos pavilhões da Fenadoce sobre as reformas previdenciária e tributária, que estão em andamento, mas fez questão de ressaltar também a necessidade de execução de outras reformas. Lula atacou principalmente a estrutura sindical atual.

– Vamos fazer a reforma sindical para acabar com o peleguismo no Brasil – disse Lula. O presidente também defendeu as reformas trabalhista, agrária e política – esta, para acabar “com os políticos que trocam de partido como trocam de camisa”.

Sobre a reforma previdenciária, Lula fez sua primeira defesa agressiva a favor do tema:

– Se um cortador de cana tem que trabalhar 60 anos para se aposentar, porque um professor universitário tem que se aposentar com 55? Se uma cortadora de cana tem que trabalhar 60 anos para se aposentar, porque uma procuradora de Justiça tem que trabalhar apenas 53? – perguntou.

Mesmo com um protesto de servidores gaúchos do lado de fora da Fenadoce, contra as reformas, Lula continuou a defesa do tema:

– Eu não posso aceitar que alguém se aposente com R$ 17 mil e que milhões de pessoas não tenham esse privilégio. Os que ganham pouco sabem que não vão perder nada com as reformas – concluiu.