Luz vermelha acenderá em maio para sistema de saúde do Rio

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Publicado segunda-feira, 20 de abril de 2020 as 10:11, por: CdB

De acordo com dados oficiais, o número de mortes confirmados pela doença no Estado mais que dobrou em uma semana. No último balanço divulgado no domingo, o Rio contabilizava 402 óbitos.

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro

O secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, manifestou preocupação com o avanço da covid-19, doença respiratória provocada pelo coronavírus, no Estado em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters e disse que, no momento, a luz está amarela, caminhando para laranja, mas previu que ficará vermelha em maio, com a chegada do momento mais crítico da doença.

Mulher usa máscara enquanto outras pessoas aguardam em fila de banco no Rio de Janeiro
Mulher usa máscara enquanto outras pessoas aguardam em fila de banco no Rio de Janeiro

Santos, que está infectado com a covid-19, disse temer um momento “muito, muito complicado” no Estado e afirmou que a curva de contágio em solo fluminense não está achatando, apesar das medias de isolamento social adotadas pelo governo de Wilson Witzel (PSC), que também está diagnosticado com a doença.

– Ainda não acendemos a luz vermelha, mas estamos da luz amarela para laranja. Mas se as mortes não sensibilizarem a população, no começo de maio a luz vermelha acende para o sistema de saúde – disse o secretário em entrevista concedida à Reuters na noite de sexta-feira.

De acordo com dados oficiais, o número de mortes confirmados pela doença no Estado mais que dobrou em uma semana. No último balanço divulgado no domingo, o Rio contabilizava 402 óbitos enquanto no domingo anterior eram 170. Outras 185 mortes estão em investigação. O balanço oficial confirma ainda 4.675 casos da doença, ante 2.855 uma semana antes.

– Com aumento no número de óbitos e da pressão de internação, vemos que a curva não está achatando e daqui a duas semanas podemos estar num cenário muito, muito complicado – disse.

Segundo o secretário, essa aceleração e o número elevado de casos ocorre antes mesmo de se atingir o pico da covid-19 no Estado. Ele estima que o auge da doença ocorrerá daqui a duas semanas, na virada de abril para maio.

– Estou temendo esse momento. Você sabe que sempre tive um tom equilibrado… a gente sempre criticou governos ausentes. Dessa vez tomamos as medidas no horário certo, na hora correta e enfrentamos mil resistências, mas estou um pouco desolado ao ver que podemos jogar fora uma oportunidade que foi dada.

O secretário avaliou que a população Fluminense relaxou o distanciamento social, que é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a disseminação do vírus, com mais pessoas indo às ruas nos últimos dias. Dados estatísticos mostram que a taxa de isolamento no Grande Rio está perto de 50%, sendo que o ideal recomendado pela OMS é de 70%.

– Não chegamos no pico da doença e vemos pessoas enchendo calçadas no Rio, na Baixada e outros municípios. Acho que a gente está perdendo uma chance valiosa de achatar a curva e frear a epidemia – avaliou.

– Tenho percebido uma pressão muito grande nos últimos dias nas nossa unidades hospitalares por internação e transferência para os hospitais de referência. E o pico é só daqui umas duas semanas. Se seguir esse comportamento social, a gente ainda vai ter uma piora muito grande de casos e óbitos.

Encomendas atrasadas

Outra preocupação do secretário, que está trabalhando de casa isolado, é com a estrutura para enfrentar a doença. O Estado se preparou para testagem em massa da população, mas dos cerca de 1 milhão de testes comprados da China, o Rio tem à disposição apenas 50 mil. Além disso, dos 900 respiradores encomendados, somente 50 chegaram do país asiático até agora.

O governo estadual também está viabilizando oito hospitais de campanha para pacientes com covid-19, mas com atrasos nas encomendas da China, o cronograma de conclusão das unidades temporárias está comprometido. Dos oito planejados para ficarem prontos até o fim do mês, apenas dois deles devem entrar em operação: no Maracanã e no Leblon

A falta de equipamentos e estrutura também afeta a prefeitura do Rio, que no domingo recebeu seu primeiro hospital de campanha, no Riocentro, mas a unidade temporária ainda não tem os respiradores comprados da China e só deve estar operacional no mês que vem. A cidade do Rio contabiliza 245 mortes e 3.126 casos de coronavírus.

O desafio do Estado

Para aumentar o desafio do Estado e da cidade, a taxa de ocupação da rede pública de saúde está elevada e pode chegar à saturação caso a demanda por leitos aumente rapidamente nos próximos dias.

Até a semana passada, dos 619 leitos da rede pública que atendem ao Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade, 548 estavam ocupados. No Estado, a ocupação de leitos de UTI também beira 90%.