Macron condena antissemitismo de ‘coletes amarelos’

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Publicado domingo, 17 de fevereiro de 2019 as 10:17, por: CdB

Durante marcha em Paris, filósofo Alain Finkielkraut foi cercado por manifestantes e xingado com ofensas antissemitas. Assédio gera onda de condenações, em meio ao crescimento de crimes contra judeus na França.

Por Redação, com DW – de Paris

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou o assédio verbal sofrido por um intelectual judeu durante os protestos de sábado dos chamados “coletes amarelos”.

Os protestos dos “coletes amarelos” começaram três meses atrás

Na manifestação no centro de Paris, que marcou três meses do início dos protestos, o filósofo e escritor Alain Finkielkraut foi alvo de uma série de insultos racistas, como mostram imagens que circularam na imprensa e nas mídias sociais.

– Os insultos antissemitas dos quais ele foi alvo são a absoluta negação do que consideramos fazer de nós uma grande nação. Nós não vamos tolerar isso – escreveu Macron no Twitter.

– Filho de imigrantes poloneses, o acadêmico Alain Finkielkraut não é apenas um proeminente intelectual, mas também um símbolo do que a República possibilita a todos – complementou.

Nas imagens gravadas durante o protesto, é possível ver como manifestantes gritam “grande merda de sionista”, “saia daqui sionista de merda”, “nós somos o povo” e a “França é nossa”.

– Eu me senti absolutamente odiado, mas, infelizmente, essa não é a primeira vez – disse Finkielkraut, de 69 anos, ao Journal du Dimanche. “Eu teria ficado com medo se a polícia não estivesse lá, mas felizmente eles estavam lá.”

Inicialmente, Finkielkraut expressou solidariedade e simpatia às causas dos “coletes amarelos”, mas, em entrevista publicada no último sábado no jornal Le Figaro, ele criticou os líderes do movimento dizendo que a “arrogância mudou de lado”.

O incidente de sábado gerou uma onda de condenações e mensagens de apoio ao filósofo. Finkielkraut, amplamente visto como um pensador pró-establishment, é desde 2016 membro da Academia Francesa, a prestigiosa instituição responsável pela definição da língua francesa.

A França observa com preocupação o aumento de atos contra judeus em sua sociedade. Na semana passada, 14 partidos políticos lançaram um apelo para que se atue de forma mais contundente contra atos antissemitas – segundo o Ministério do Interior, em 2017 houve um aumento de 74% em crimes de ódio contra judeus.

Os protestos dos “coletes amarelos” começaram três meses atrás, como um movimento contra o aumento no preço dos combustíveis, mas logo se tornaram uma série de manifestações mais amplas contra o governo Macron.

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