Máfia italiana tenta se aproveitar de crise da pandemia, dizem procuradores

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Publicado quinta-feira, 16 de abril de 2020 as 12:57, por: CdB

Clãs da máfia italiana estão aproveitando a pandemia de coronavírus para comprar favores de famílias pobres à beira da ruína financeira, disseram procuradores e autoridades.

Por Redação, com Reuters – de Roma

Clãs da máfia italiana estão aproveitando a pandemia de coronavírus para comprar favores de famílias pobres à beira da ruína financeira, disseram procuradores e autoridades, e oferecendo empréstimos e comida no que é visto como uma tática de recrutamento de séculos de existência.

Funcionário médico trata de paciente com coronavírus em Turim
Funcionário médico trata de paciente com coronavírus em Turim

Depois de décadas fazendo campanha para limitar a influência da máfia em seus bastiões tradicionais no sul da Itália, autoridades e instituições de caridade dizem que a pandemia criou novas oportunidades para o crime organizado reconquistar a lealdade das pessoas.

– Sabemos que ‘famílias de amigos’, todos eles agiotas, estão se dispondo a dar dinheiro às pessoas em dificuldade – disse Amedeo Scaramella, usando um eufemismo pelo qual a quadrilha de criminosos da Camorra é conhecida.

Scaramella, advogado de formação, comanda a Fundação San Giuseppe Moscato, grupo católico de Nápoles que combate a agiotagem, em parte garantindo empréstimos bancários a pessoas normalmente consideradas como riscos de crédito.

Ele disse à agência inglesa de notícias Reuters que os agiotas começam oferecendo empréstimos com taxas que competem com os bancos e mais tarde acuam as vítimas elevando-as a até 300%.

Atividades suspeitas em Nápoles

Federico Cafiero De Raho, procurador nacional antimáfia da Itália, disse que seus agentes perceberam atividades suspeitas em Nápoles, entre elas clãs da Camorra distribuindo comida de graça a famílias que o isolamento nacional deixou com pouco dinheiro.

– Temos provas  – disse De Raho à Reuters, sem dar detalhes porque as investigações estão em andamento.

A experiência leva a crer que a máfia pode buscar ressarcimentos de tamanha generosidade no futuro pedindo aos beneficiados que realizem atividades como transportar drogas, disse.

– A Camorra sabe que esta é a hora certa de investir.

Antonio Lucidi disse que a instituição de caridade de Nápoles em que trabalha, “L’Altra Napoli” (A Outra Nápoles), arrecadou mais de 150 mil euros para levar alimento a famílias necessitadas para que não tenham que aceitá-la da máfia durante o isolamento.

– Quando a fome se torna uma questão real, é difícil resistir à tentação – disse ele à Reuters.

O governo italiano prometeu 400 milhões de euros de amparo social aos pobres, incluindo a emissão de cupons para aqueles que não têm como ir às compras.