Magistrados abusam da paciência popular e confrontam opinião pública

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Publicado quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018 as 16:07, por: CdB

A distribuição imoral de auxílio-moradia, entre outras mordomias destinadas aos servidores da Justiça tem sido alvo de protestos até em cultos da Igreja Católica. Ainda assim, os magistrados não recuam.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro e São Paulo

 

A imagem do Judiciário brasileiro passa a seguir, inexoravelmente, na direção contrária à opinião pública. A distribuição imoral de auxílio-moradia, entre outras mordomias destinadas aos servidores da Justiça tem sido alvo de protestos até em cultos da Igreja Católica. Ainda assim, os magistrados não recuam. Nesta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar o ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro no governo de Sérgio Cabral, Sérgio Côrtes.

Para o ministro Luiz Fux, a retirada de provas dos autos no julgamento da chapa Dilma-Temer não passou de um "artifício"
O ministro Luiz Fux, do STF, é um dos magistrados responsáveis pela concessão do auxílio-moradia aos seus pares

O médico foi preso em abril do ano passado, na operação “Fatura Exposta”. Ele confessou sua participação em um esquema de fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Os investigadores afirmam que, entre 2006 e 2017, os desvios chegaram a R$ 300 milhões.

Beija-pés

Além de Côrtes, também foram presos os empresários empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita. As prisões foram pedidas a partir da delação premiada de César Romero, que trabalhou com o ex-diretor do Into; ex-secretário executivo de Côrtes na secretaria estadual de Saúde. Ele acabou por entregar todo o esquema. A delação foi homologada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Bretas é um dos juízes que recebem auxílio-moradia em dobro, por ser casado com uma juíza.

Mesmo o jornalista que serve de porta-voz para os setores da extrema direita, Reinaldo Azevedo volta ao noticiário, em plena crise moral no sistema de Justiça do país, para lembrar que o também ministro do STF Luiz Fux, do STF, beijou — literalmente — os pés da mulher de Sérgio Cabral, então governador do Estado do Rio.

Fux “que admitiu em entrevista ter como padrinhos Delfim Netto, João Pedro Stedile e Antonio Palocci; além de ter mantido encontro prévio com José Dirceu à época do ‘mensalão’, não esqueceu de ser grato, de forma bem pouco usual, a um outro entusiasta de sua candidatura ao Supremo: o então governador Sérgio Cabral. A reverência, na verdade, foi feita à mulher do antigo Rei do Rio: a advogada Adriana Ancelmo, que está em prisão domiciliar.

Plenário

“O marido está em cana a perder de vista”, escreveu o comentarista.

“Indicado por Dilma, Fux foi à casa de Cabral para agradecer o apoio. E, diante de testemunhas, fez um gesto que ele mesmo disse que seria inédito: ajoelhou-se, diante de todos, e beijou os pés de Adriana. Tem seu lado criativo, convenham. Já se conhecia o beija-mão. O beija-pé, se não é símbolo máximo da sujeição, deve ser puro ato de picardia”, aponta Azevedo.

Luiz Fux também é o autor do voto que liberou o auxílio-moradia para os magistrados e demais integrantes do Poder Judiciário. A decisão tende a ser levada, às pressas, ao Plenário do Supremo, após a onda de revolta que chega aos altares brasileiros. Em missa na Igreja São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, em São Paulo, nesta manhã, o padre Júlio Lancelotti criticou as mordomias em meio à situação de grave crise social e econômica que vive o país.

— Nestes dias, todo o Brasil se pergunta: por que tanta não tem onde morar e os juízes recebem R$ 4,7 mil de auxílio-moradia? — questiona o icônico padre.

Casas populares

Ordenado sacerdote em 20 de abril de 1985; Lancelotti é o Vigário Episcopal para o Povo da Rua pela Arquidiocese de São Paulo. Doutor Honoris Causa pela PUC-SP, o padre recebeu no Rio de Janeiro o Prêmio Alceu Amoroso Lima.

— Até o juiz que é casado com uma juíza; que se acha a última trincheira da moralidade, moram em casa própria e os dois recebem — acrescentou Júlio Lancelotti. Referia-se ao juiz Bretas.

O sacerdote católico afirmou que os milhões pagos em auxílio-moradia para magistrados; que já têm casa própria, daria para construir 50 mil casas populares. Lancelotti citou também o caso do desembargador José Antonio de Paula Santos Neto; do Tribunal de Justiça de São Paulo, que possui 60 imóveis em seu nome.

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