Maia assume papel de liderança, no vácuo deixado por Bolsonaro

Arquivado em: Brasil, Últimas Notícias
Publicado quinta-feira, 26 de março de 2020 as 16:20, por: CdB

“A sociedade precisa de previsibilidade, e isso só o Estado pode oferecer neste momento. Não se trata de superestimar os efeitos da pandemia. É preciso fazer o cidadão voltar a confiar no Estado”, disse Maia, em texto disseminado pela internet, nesta quarta-feira.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) passou a assumir um papel de liderança junto aos governadores, logo após o vácuo de poder deixado por Bolsonaro, que se indispôs com os representantes dos dois Estados mais emblemáticos do país. Ao assumir, abertamente, a disputa eleitoral contra os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ambos do campo da direita e extrema direita, Bolsonaro deixa espaço para Maia formar uma base no Congresso.

Maia confirma que tramitação de uma nova CPMF, na Câmara, encontrará uma série de dificuldades
Maia se aproxima dos governadores, em oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

“A sociedade precisa de previsibilidade, e isso só o Estado pode oferecer neste momento. Não se trata de superestimar os efeitos da pandemia . É preciso fazer o cidadão voltar a confiar no Estado”, disse Maia, em texto disseminado pela internet, nesta quarta-feira. Figura central no golpe de estado de 2016, que derrubou a presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), Maia concentra agora o apoio do Centrão.

“Urge ampliar os gastos extraordinários na área da saúde, pois é vital deter o avanço da contaminação pelo vírus Covid-19. Eventuais desperdícios dessas verbas disponibilizadas em caráter excepcional podem ser evitados lançando-se mão das ferramentas criadas a partir das sofistica das curvas formuladas em tempo real pelos economistas”, escreveu o parlamentar do DEM.

Estado

Segundo o deputado do Rio de Janeiro, “maior que os desafios na compra de insumos, contratação de médicos e adaptação de hospitais, é a coordenação das ações num país de dimensões continentais e enormes desigualdades regionais como o Brasil. Ao menos nessa área, além do Estado , podemos contar com a competência da gestão dos sistemas privados de saúde”.

“O mesmo não ocorre com o mercado e a sociedade em geral, que ficam à mercê da desaceleração da atividade econômica , decorrente do fechamento do comércio, das escolas, e do confinamento social. É normal que não haja suficiente certeza sobre os efeitos maléficos dessa crise, tampouco quanto às medidas que devem ser tomadas para mitigá-los. Há inúmeras propostas apresentadas pelas empresas, por associações, pela sociedade civil organizada, pelos intelectuais”, acrescentou.

De acordo com o presidente da Câmara, “existe, contudo,  muita assimetria de informação. Isso ocorre num momento em que as notícias circulam abundantemente e de forma muito rápida. Nesse contexto, só um Estado forte, unido e coordenado dará conta do caos e oferecerá soluções ao cidadão”, continuou.

Doença e fome

Embora defenda os princípios neoliberais, Maia diz agora, diante da pandemia do vírus Sars-CoV-2, que “a sociedade precisa de previsibilidade, e isso só o Estado pode oferecer neste momento. Não se trata de superestimar os efeitos da pandemia . É preciso fazer o cidadão voltar a confiar no Estado”.

“Para conquistar essa confiança é preciso comunicar com clareza o planejamento das ações que estão a ser pensadas. Provavelmente, haverá mudanças em algumas das ações previstas inicialmente. Os dados e o cenários e alteram a cada dia, e é até recomendável que os planos sejam revistos à medida que avança o conhecimento do inimigo – o vírus e suas curvas de propagação. Mas o norte tem de ser, sempre , claro e convergente . É essencial coordenar as ações entre a saúde e a economia , evitando que pessoas que não morram da doença terminem vitimadas pela fome. É um equilíbrio difícil”, percebeu.

Maia aponta, ainda, que “a ocorrência de erros e de acertos nessa guerra contra o vírus era esperado. Tanto aqui, quanto lá fora. Olhando para trás, e para o sucesso e o fracasso da experiência dos países atingidos pela pandemia antes do Brasil , é fundamental ter humildade para aprender lições e reverter as ações que porventura tenham se mostrado precipitadas”.

República

“Falar em fechamento de rodovias , apartando municípios e às vezes regiões inteiras do resto do país, ainda faz sentido? Isso foi posto sobre as mesas de debate. É correto? A resposta depende de uma construção coletiva e cooperativa dos vários entes da federação, coordenadas num mesmo sentido. À disposição deles, há uma infinidade de dados e informações, além de excelentes técnicos dispostos a ajudar”.

O mesmo precisa ocorrer na área econômica, continua, “com relação ao socorro às empresas e à proteção do emprego. Muitos são os atores envolvidos. Sou do Parlamento, o Congresso é a minha área de atuação central”.

“Nunca foi tão urgente colocar em prática a coordenação entre os poderes da República . Começarmos concordando com um diagnóstico baseado em evidências empíricas e não em opiniões , além de um claro objetivo comum no curto, no médio e no longo prazo , é o melhor passo a dar a fim de avançarmos na proteção do Brasil e dos brasileiros”, conclui o presidente da Câmara dos Deputados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *