Mais de 500 civis foram mortos em Myanmar após golpe militar, diz ONG

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Publicado terça-feira, 30 de março de 2021 as 11:15, por: CdB

 Número de mortos por causa da repressão militar contra manifestantes ultrapassa marca de 500, diz ONG birmanesa. Grupos rebeldes ameaçam retaliar militares. Manifestações contra golpe de Estado já duram dois meses.

Por Redação, com DW – de Yangon

O número de mortos resultantes da repressão militar contra manifestantes em Myanmar ultrapassou a marca de 500, segundo relatou a Associação de Assistência para Prisioneiros Políticos (AAPP) nesta terça-feira. O caos nas ruas de Myanmar prevalece desde o início de fevereiro, quando as Forças Armadas tomaram o poder sob alegação de fraude eleitoral.

O caos nas ruas prevalece desde o início de fevereiro, quando militares tomaram o poder sob alegação de fraude eleitoral

A AAPP comunicou que ao menos oito civis foram mortos na segunda-feira em Yangon, a maior cidade de Myanmar. Em todo o país, a associação registrou 14 óbitos na segunda-feira. Com isso, a contabilização da AAPP totalizou 510 mortes, ao menos cem somente no último sábado. A associação alertou que o número real deve ser muito maior e que 2.574 pessoas estavam detidas.

A pressão internacional tem aumentado sobre a junta militar acusada de fazer uso de força excessiva contra manifestantes. Os militares birmaneses tomaram o poder num golpe de Estado em 1º de fevereiro. Eles alegaram fraude eleitoral nas eleições legislativas de novembro que deram a vitória à líder da Liga Nacional para a Democracia (LND), Aung San Suu Kyi, antes considerada um ícone democrático, mas que decaiu em infâmia como cúmplice no genocídio da minoria rohingya.

Condenação de comunidade internacional

Na segunda-feira, os Estados Unidos suspenderam um acordo comercial com Myanmar e exigiram a restauração de um governo democrático. O presidente americano, Joe Biden, classificou a repressão militar como “absolutamente intolerável” e “totalmente desnecessário”.

Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e a União Europeia impuseram sanções aos generais birmaneses. Organizações internacionais, entre elas as Nações Unidas, continuamente tem condenado a repressão. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu uma “resposta internacional firme, unida e decisiva”. Até então, porém, a China e a Rússia têm usado o poder de veto para  impedir o Conselho de Segurança da ONU de tomar medidas contra Myanmar.

Em comunicado pouco habitual, os principais comandantes militares de EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia, Dinamarca, Holanda, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia condenaram os acontecimentos de sábado, quando mais de cem manifestantes foram mortos.

“Militares profissionais devem seguir as normas internacionais de conduta e são responsáveis por proteger, não machucar, o povo ao qual servem”, ressaltaram os chefes de Defesa dos 12 países.