Mais famílias brasileira têm dívidas em atraso, constata pesquisa

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Publicado segunda-feira, 19 de abril de 2021 as 17:47, por: CdB

O percentual de endividamento das famílias é mais alto nas residências de baixa renda, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo o estudo, 26% dos entrevistados vivem em lares em que há pelo menos uma pessoa com dívida. Esse percentual sobe para 44% para famílias com renda de até R$ 2.100.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Uma em cada quatro famílias brasileiras possui alguém com dívidas em atraso, de acordo com sondagem realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV). Mais da metade dos endividados afirmam que o problema está relacionado à pandemia, principalmente perda de emprego e redução de salário.

dívida
Falta de emprego e renda aos trabalhadores ampliam os níveis de inadimplência

O percentual de endividamento das famílias é mais alto nas residências de baixa renda. Segundo a pesquisa, 26% dos entrevistados vivem em lares em que há pelo menos uma pessoa com dívida. Esse percentual sobe para 44% para famílias com renda de até R$ 2.100. Para o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, trata-se de um cenário esperado, na medida em que a economia não cresce e a pandemia segue fora de controle.

— Na verdade, as pessoas estão com muita dificuldade para fechar o mês. Uma parcela bastante grande da população está com renda próxima a zero. Estamos falando de mais de 14 milhões de desempregados. Mais 10 milhões que saíram do mercado de trabalho — destacou Fausto, em entrevista à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Endividamento

Sem emprego e sem renda, as famílias ainda enfrentam o avanço dos preços dos alimentos, o que reduz ainda mais o poder de compra da população. Outro agravante é a elevação da taxa básica de juros, a Selic, impactando no aumento do custo do financiamento dessas dívidas.

O diretor do Dieese ressalta que o endividamento das famílias será também um entrave para a retomada da economia no pós-pandemia. Segundo ele, os bancos públicos deveriam auxiliar no refinanciamento dessas dívidas, com prazos maiores e juros mais baixos. No entanto, essa alternativa esbarra na crença do governo de que os bancos públicos devem ter atuação similar às instituições financeiras privadas.

— Na verdade, os bancos públicos estão em processo acelerado de privatização indireta. Seja com a venda de ativos ou com abertura de mercado. De alguma forma, vão se equivalendo aos bancos de mercado — concluiu Fausto.