Maldivas criam ilhas artificiais, na tentativa de salvar população

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Publicado sábado, 5 de dezembro de 2020 as 16:35, por: CdB

Nenhuma outra nação, no entanto, talvez enfrente uma ameaça ambiental como as Maldivas. Os resorts de luxo à beira-mar do arquipélago podem ser mundialmente famosos, mas com mais de 80% de suas 1,2 mil ilhas a menos de 1 metro acima do nível do mar, a elevação dos oceanos é uma ameaça a sua própria existência.

Por Redação, com BBC News – de Malé

Do alto, são apenas alguns pontinhos no Mar da Arábia, a sudoeste do Sri Lanka e da Índia. As Ilhas Maldivas, no entanto, representam o destino dos sonhos de viajantes do mundo inteiro, que voam até lá para desfrutar do cenário paradisíaco de atóis de coral rodeados por areia branca, resorts de luxo e esportes aquáticos de nível internacional.

A ilha artificial abriga mais de 200 mil pessoas, próxima à capital de Maldivas, Male
A ilha artificial abriga mais de 200 mil pessoas, próxima à capital de Maldivas, Male

Nenhuma outra nação, no entanto, talvez enfrente uma ameaça ambiental como as Maldivas. Os resorts de luxo à beira-mar do arquipélago podem ser mundialmente famosos, mas com mais de 80% de suas 1,2 mil ilhas a menos de 1 metro acima do nível do mar, a elevação dos oceanos causada pelo aumento das temperaturas globais é uma ameaça a sua própria existência.

“Somos um dos países mais vulneráveis ​​da Terra e, portanto, precisamos nos adaptar”, declarou o então vice-presidente das Maldivas, Mohammed Waheed Hassan, em um relatório do Banco Mundial de 2010. Ele alertou como, diante das previsões de aumento do nível do mar, todas as cerca de 200 ilhas naturais habitadas do arquipélago poderiam estar submersas até 2100.

Malé

A população local, no entanto, está determinada a lutar para preservar sua existência, segundo o site de notícias britânico BBC. Em 2008, o então presidente Mohamed Nasheed ganhou as manchetes dos jornais no mundo todo ao anunciar um plano para comprar terras em outro lugar para que seus cidadãos pudessem ser realojados caso as ilhas ficassem submersas.

Mas as Maldivas se voltaram para uma forma diferente de geoengenharia: criando uma cidade do século XXI, apelidada de “Cidade da Esperança”, em uma nova ilha artificial chamada Hulhumalé.

Antes da pandemia, turistas curiosos podiam visitar a nova cidade-ilha, que ganha forma a cerca de 8 km da capital, Malé – conectada por uma ponte, são 20 minutos ônibus a partir do aeroporto.

Pouca gente, porém, que viaja para as Maldivas com estadias curtas e luxuosas está atento às questões sociais pragmáticas que Hulhumalé pretende resolver. Com mais de 500 mil habitantes espalhados por todo o arquipélago, a prestação de serviços é um pesadelo logístico que drena todos muitos recursos.

Tsunami

A falta de oportunidades de trabalho é outra, elevando o desemprego entre os jovens para mais de 15%, de acordo com um relatório de 2020 do Banco Mundial. Assim como o arquipélago corre o risco de ficar submerso no longo prazo, o aumento da erosão costeira ameaça 70% da sua infraestrutura — casas, outras construções e serviços públicos — localizada atualmente a 100 metros do litoral.

Há ainda preocupações com a invasão da água salgada do mar, contaminando preciosas fontes de água doce, além do risco de desastres naturais imprevisíveis, como o tsunami de 2004 que matou mais de 100 pessoas nas Maldivas.

— Após o tsunami de 2004, foi introduzido um programa para aumentar a resiliência por meio de ilhas mais seguras. Hulhumalé está sendo desenvolvida por meio de considerações cuidadosas em relação às mudanças climáticas em sua arquitetura e comunidades — resume Areen Ahmed, diretor de desenvolvimento de negócios da Housing Development Corporation (HDC), que supervisiona a Cidade da Esperança.