Mandatário ‘celebra a morte’ ao reverenciar golpe de 1º de abril e pandemia

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Publicado quinta-feira, 1 de abril de 2021 as 16:26, por: CdB

Vannuchi lamentou que o Brasil não tenha processado os militares, policiais e civis que participaram das atrocidades do regime militar, personagens “que até hoje seguem negando, mas sabem onde estão os restos mortais” de desaparecidos, vítimas da ditadura.

Por Redação – de São Paulo

Em transmissão ao vivo, promovida na noite passada pela deputada federal Marília Arraes (PT-PE), o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos Paulo Vannuchi falou sobre a herança do regime militar e a trágica conjuntura atualmente vivida pelo Brasil, assolado pela pandemia de coronavírus e governado por Jair Bolsonaro (sem partido). Integrante da Comissão Arns, Vannuchi comparou ambos como sendo momentos de “celebração da morte” na história brasileira. O encontro lembrou 57 anos do golpe de 1964.

Vannuchi critica a forma diferenciada como a Justiça do Paraná trata Lula e o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ)
Vannuchi critica o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

Vannuchi lamentou que o Brasil não tenha processado os militares, policiais e civis que participaram das atrocidades do regime militar, personagens “que até hoje seguem negando, mas sabem onde estão os restos mortais” de desaparecidos, vítimas da ditadura.

— E, nesse sentido, criam um crime permanente, um crime imprescritível — acrescentou o ativista.

‘Genocida’

Um trabalho de diálogo e conscientização, em sua opinião, podem paulatinamente evitar que Agulhas  Negras (academia militar de ensino superior do Exército) continue sendo “uma fábrica de Bolsonaros”.

Vannuchi, porém, ressalvou que sua observação não aponta para uma generalização. Para ele, é preciso distinguir as condutas de Eduardo Villas Bôas, por exemplo, e a de Edson Leal Pujol, ambos ex-comandantes do Exército. No entanto, este último “incomodava” Bolsonaro por sua insubordinação aos desmandos autoritários do chefe do governo.

— Pujol se recusou a dar as mãos a um presidente genocida. Pelo seu trabalho, obteve uma contaminação dez vezes menor (de covid-19) do que na sociedade. Por isso foi demitido — afirmou.

Villas Bôas

No ano passado, viralizou nas redes as imagens de Bolsonaro tentando cumprimentar Pujol e receber como resposta o cotovelo do general, então máxima autoridade do Exército, como manda o protocolo médico contra o coronavírus.

Já Villas Bôas, em abril de 2018, se manifestou no Twitter com mensagens pouco claras, que foram interpretadas como ameaça ao Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, o STF estava prestes a julgar um habeas corpus de Luiz Inácio Lula da Silva que poderia colocar em liberdade o ex-presidente.