Mandatário deixou sua base radical constrangida, após recuo do golpe

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Publicado sexta-feira, 10 de setembro de 2021 as 16:56, por: CdB

“Depois de arrastar milhares de pessoas para as ruas, em defesa do fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela volta da ditadura militar, com bloqueio de caminhoneiros nas estradas, no dia seguinte ao 7 de setembro, esse recuo pode custar caro entre os mais radicalizados”, ressalta a antropóloga Isabela Kalil, estudiosa do bolsonarismo.

Por Redação, com El País – de Brasília

O aparente recuo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no discurso golpista está longe de significar alguma moderação por parte do mandatário neofascista. Seu modo de agir, segundo a antropóloga Isabela Kalil, professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e estudiosa do bolsonarismo, “depende dos constrangimentos legais e políticos que ele sofrer”.

Bolsonaro
Jair Bolsonaro representa o fascismo e o que o fascismo odeia mais do que qualquer outra coisa é a inteligência

Assim, esse recente meia-volta, volver, “sinaliza que ele sentiu esse constrangimento seja pela ameaça de impeachment seja por seus crimes de responsabilidade, ou mesmo pela possibilidade de se tornar inelegível”, acrescenta, em entrevista ao diário conservador espanhol El País. Mas, depois de arrastar milhares de pessoas para as ruas, em defesa do fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela volta da ditadura militar, com bloqueio de caminhoneiros nas estradas, no dia seguinte ao 7 de setembro, “esse recuo pode custar caro entre os mais radicalizados”, ressalta a antropóloga.

Impeachment

Bolsonaro, o presidente que chegou ao poder para combater o sistema, apelou para o ex-presidente Michel Temer —”que representa o que o mandatário chama de ‘velha política”, lembra Kalil —quando a situação parecia estar saindo do controle, com o fantasma de uma nova greve de caminhoneiros ao mesmo tempo que o mundo político voltava a debater a abertura de um processo de impeachment.

Ela lembra que vários de seus apoiadores embarcaram na performance golpista do presidente com a promessa de que contariam com seu respaldo institucional e jurídico. Enquanto “alguns patriotas se jogaram na piscina do golpismo, Bolsonaro prometeu ficou na borda”. Agora, esses apoiadores, muitos deles alvos do inquérito no Supremo que apura as fake news, pedem um colete salva-vidas.

— O que acontece com bastante frequência é que toda vez que ele tem problemas, como na área econômica ou na saúde pública, Bolsonaro desloca a crise para a sua pessoa — resumiu Angela Alonso, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), ao diário espanhol.

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