Manifestantes antigoverno prometem voltar às ruas do Haiti

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Publicado sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019 as 12:11, por: CdB

Milhares de manifestantes foram às ruas de Porto Príncipe e das outras grandes cidades da ilha-nação durante dias de protestos iniciados em 7 de fevereiro

Por Redação, com Reuters – de Porto Príncipe

A cacofonia de sirenes, buzinas e ambulantes da capital do Haiti esteve menos estridente do que o normal nesta semana, quando os moradores se mantiveram em alerta devido a protestos antigoverno recentes que organizadores prometeram retomar nesta sexta-feira.

O Haiti tem uma longa tradição de corrupção

Milhares de manifestantes foram às ruas de Porto Príncipe e das outras grandes cidades da ilha-nação durante dias de protestos iniciados em 7 de fevereiro, pedindo a renúncia do presidente Jovenel Moise devido à inflação crescente, ao enfraquecimento da moeda e a alegações de malversação.

– Os protestos prejudicam meu negócio. Estamos frustrados e as pessoas estão assustadas – disse Jocelyn Alexis, ambulante de 33 anos do centro da cidade.

Outros proprietários de pequenos negócios disseram que os consumidores ainda estão mantendo distância na esteira de manifestações recentes que se tornaram violentas, apesar de as marchas terem diminuído nesta semana.

Líderes da oposição estão pedindo um inquérito independente sobre o paradeiro dos fundos do acordo PetroCaribe, uma aliança entre países caribenhos, incluindo o Haiti, e a Venezuela.

Os termos preferenciais do acordo para a compra de energia deveriam ajudar a liberar fundos para auxiliar o desenvolvimento do país empobrecido, assolado frequentemente por desastres naturais.

– A luta continuará… continuaremos a pedir a renúncia do presidente, e precisamos de um inquérito sobre a PetroCaribe porque precisamos acabar com a corrupção neste país, que permitiu que uma pequena minoria fique com a maioria da riqueza – disse o líder opositor Andre Michel.

– Os novos protestos estão marcados para sexta-feira. A luta recomeçará.

Em um discurso feito no palácio presidencial no dia 14 de fevereiro, Moise adotou um tom combativo e desafiou os clamores por sua saída, dizendo que não entregará a nação a traficantes de drogas e que o diálogo é a única maneira de evitar uma guerra civil.

O Haiti tem uma longa tradição de corrupção, e parceiros internacionais e agências reguladoras anticorrupção culparam políticos haitianos muitas vezes por não reprimirem esse flagelo.

A “má administração da economia” por parte do governo também atiça as frustrações dos haitianos, disse o economista Kesner Pharel, da consultoria Group Croissance.

A inflação anual, que estava em 15 %  em dezembro, e uma moeda que perdeu quase 20 %  do valor perante o dólar no ano passado e continuou a se depreciar em 2019, dificultam ainda mais a compra de itens básicos na nação mais pobre do Hemisfério Sul.

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