Marina lança indireta contra Bolsonaro, com quem disputa eleitores

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Publicado segunda-feira, 6 de agosto de 2018 as 14:22, por: CdB

“Como professora de história … sinto-me obrigada fazer aqui mais um alerta: a sociedade civil, nela incluído o setor produtivo, não deve cair no conto do vigário de saídas autoritárias contrárias à nossa democracia”, afirmou Marina Silva.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Candidata à Presidência pela Rede, Marina Silva afirmou, nesta segunda-feira, que a sociedade precisa se prevenir de discursos “extremistas” que se alimentam do descontentamento geral da população com a política. Foi o primeiro ataque, indireto, à candidatura do neofascista Jair Bolsonaro (PSL), com quem disputa eleitores.

Marina Silva também aponta que Alckmin reúne maioria dos partidos "que estavam com a Dilma (Rousseff)"
Marina Silva também aponta que Alckmin reúne maioria dos partidos “que estavam com a Dilma (Rousseff)”

Em evento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Marina, que teve sua candidatura oficializada pela Rede no último sábado, afirmou que não é possível recuperar o país sem atacar o “dreno” da corrupção e defendeu a operação Lava Jato.

— Discursos extremistas que prometem saídas fáceis para uma crise complexa crescem na sociedade brasileira, alimentando-se de nossa insegurança e de nossa revolta com tudo o que está acontecendo — disse Marina, sem citar nomes, mas em referência indireta ao candidato pelo PSL.

Segundo Marina, “já vimos esse filme antes e sabemos no que pode dar”.

— Como professora de história … sinto-me obrigada fazer aqui mais um alerta: a sociedade civil, nela incluído o setor produtivo, não deve cair no conto do vigário de saídas autoritárias contrárias à nossa democracia — acrescentou.

Cadastro positivo

Para a candidata, que disputa o Planalto pela terceira vez, a retomada dos investimentos e do crescimento do país passa por uma reforma do Estado, que inclui o “desafio primário” de controlar o gasto público e limitar seu crescimento “à metade do aumento do PIB”.

Também defendeu a realização de uma reforma da Previdência com transparência para resolver o problema fiscal, atacando os privilegiados, que, na sua opinião, não foram abordados na proposta sugerida pelo governo de Michel Temer.

Marina ainda colocou como “imperativa” uma reforma tributária, reunindo em um imposto os tributos PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.

Afirmou, em seguida, que é possível diversificar o mercado de crédito, o que poderia ser possibilitado a partir de um cadastro de bons pagadores — o chamado cadastro positivo — e de um marco regulatório do setor.

Dreno da corrupção

Alertou, contudo, que “nada disso adiantará se não fecharmos o dreno da corrupção”.

— Não preciso citar aqui o papel fundamental da operação Lava Jato em trazer à tona a realidade da corrupção endêmica e sistêmica — disse.

Depois, em entrevista a jornalistas, Marina criticou as alianças do candidato tucano à Presidência, ao dizer que “boa parte dos que estavam com Dilma, agora estão com Alckmin”, em uma referência indireta ao chamado blocão —PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade.

Também disse que trabalha para evitar que se repita a tradicional polarização PT x PSDB em outubro, já que, segundo sua avaliação, os grupos hegemônicos da política nacional estão “mais preocupados” com a Lava Jato do que com a defesa de conquistas como o Plano Real ou os avanços sociais.

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