May tenta unificar seu gabinete para enfrentar negociação do Brexit

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Publicado quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018 as 14:46, por: CdB

Essas questões serão abordadas nas reuniões, potencialmente decisivas; que May terá nesta quarta e quinta-feira com o chamado “comitê de guerra do Brexit”

Por Redação, com EFE – de Londres:

Os atritos no seio do governo conservador britânico sobre como encarar o Brexit deixam em uma posição frágil a primeira-ministra, Theresa May, que a partir desta quarta-feira enfrenta reuniões internas com seu gabinete para entrar em consenso sobre os aspectos-chave da negociação.

A primeira-ministra, Theresa May

As fileiras ‘tories’ continuam divididas pela ausência de consenso sobre; que “linhas vermelhas” o Executivo deve estabelecer na próxima rodada negociadora com Bruxelas; prevista para depois de março; onde ambas partes devem definir sua futura relação comercial.

Essas questões serão abordadas nas reuniões, potencialmente decisivas; que May terá nesta quarta e quinta-feira com o chamado “comitê de guerra do Brexit”; vários membros do Executivo; centradas em dar forma ao modelo comercial futuro que o país espera ter com os 27 países do bloco.

Os meios de comunicação locais lamentam a “guerra civil” entre as distintas facções desse partido; e falam de uma possível conspiração de membros da ala pró-Brexit para derrubar o mandato de May; a favor do titular de Relações Exteriores, Boris Johnson.

Neste ponto, a premiê batalha em uma encruzilhada delineada pelos ‘tories’; que querem negociar a favor da continuidade no mercado único e na união aduaneira; e pelos que clamam por um corte radical, o chamado “Brexit duro” com os 27.

Estes últimos foram o “maior desafio” para todos os líderes conservadores desde Margaret Thatcher; disse à Agência Efe Nicholas Wright, especialista em Política Comunitária da University College London.

UE

De fato, acrescentou o especialista, o principal desafio é “equilibrar a minoria oposta implacavelmente a ter algo a ver com a UE com os pragmáticos; que veem claros benefícios em estar o mais perto possível dos parceiros europeus”.

Este especialista lamentou que May “tenha evitado tomar decisões com o fim de não gerar uma divisão prejudicial”, o que implica em não “liderar”; e qualificou de “preocupante” que “não compreenda todas as implicações do Brexit”.

– No meio deste tumulto” está agora a primeira-ministra “que se nega a adotar uma posição definida – acrescentou Wright, deixando “o futuro econômico do país como refém de 30 ou 40 deputados ‘tories'”.

O analista antecipou que a próxima rodada negociadora com Bruxelas será “dura”; uma vez que o país “enfrentará as contradições da sua posição”: aceitar os termos da UE sobre o período de transição ou afundar-se em um possível colapso.

Problemas

Por sua parte, o pesquisador do Departamento de Governo da Universidade de Essex, Paul Whiteley; percebe um “acúmulo de problemas de diverso tipo; que se empilham” nas frentes conservadoras perante as incógnitas do “divórcio”.

Whiteley prevê a saída da chefe do Executivo para a primavera de 2019; uma vez que o país esteja oficialmente fora da UE; “para dar ao novo líder tempo de estabelecer-se antes das próximas eleições gerais de 2022”.

Além disso, considera que as divergências de opinião que fraturam a legenda governante “estão chegando a um ponto crítico” diante da próxima fase negociadora com a UE; na qual a situação dos comunitários será “um ponto-chave” que poderia derivar, se não houver consenso, no “colapso” do processo.

Por enquanto, ambas partes já iniciaram um diálogo profundo em que buscam estabelecer os termos de um período de transição de dois anos depois que se execute a saída – em 29 de março de 2019 -, segundo antecipou esta semana em Londres Michel Barnier, negociador comunitário para o Brexit.

A polêmica

A polêmica no grupo conservador foi instigada no recente Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, pelo ministro de Economia, Philip Hammond; que opinou que a separação do seu país da UE deve causar mudanças “muito moderadas”; declarações que lhe valeram fortes críticas dos mais eurocéticos.

Nas futuras negociações, o Reino Unido confia em forjar um acordo comercial o mais aberto possível; mas fora da união aduaneira e do mercado único; bem como que se permita ao setor bancário britânico continuar oferecendo serviços financeiros nos países comunitários.

No entanto, Barnier advertiu que as restrições ao intercâmbio de bens e serviços; entre ambos lados do Canal da Mancha serão “inevitáveis” se o Reino Unido optar por abandonar o mercado único.