Médica rejeita convite de Bolsonaro e Pazuello fica ministro, por enquanto

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Publicado segunda-feira, 15 de março de 2021 as 15:13, por: CdB

Apenas o fato de ter sido convidada para substituir o militar, no entanto, gerou uma onda de ataques pessoais e ameaças à médica. Hajjar confessou, em entrevista a jornalistas, nesta tarde, que ficou assustada com a reação violenta “desses malucos”, disse, à possibilidade de uma mudança na luta contra o coronavírus.

Por Redação – de Brasília

O convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a médica cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar assumir o Ministério da Saúde, em substituição ao general Eduardo Pazuello, foi recusado nesta segunda-feira. Na reunião entre eles, nesta manhã, ficou clara a distância entre o posicionamento favorável aos parâmetros científicos defendidos pela especialista e os métodos aprovados pelo mandatário.

A cardiologista Ludhmila Hajjar recusou o convite do presidente para ocupar o cargo de ministra da Saúde

Participaram da reunião, além do presidente Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho dele, e Pazuello, o atual ministro da Saúde.

— O convite feito no sábado, por telefone, e aceitei conversar porque o brasil precisa ficar preocupado com esse número de mortos na pandemia e, para mim, significou uma mudança de rumo, mas não houve uma convergência técnica entre nós. O que o presidente deseja para o cargo não se encaixa no meu perfil. Não houve convergência técnica, entre nós. A minha qualificação, meus objetivos e meus planos não são os mesmos que os do presidente — afirmou.

Protocolo

A cardiologista afirmou, ainda, que o Ministério da Saúde não determinou um protocolo mínimo contra a covid-19, o que se transforma em um ponto negativo ao tratamento dos pacientes e dificulta a vida dos governadores e dos prefeitos.

— Os pontos cruciais na condução dessa pandemia devem ser a união nacional. É preciso um esforço grande na aquisição de vacinas, mais agilidade na aquisição das vacinas. Mas não podemos esperar apenas pelas vacinas. Temos que ter uma estratégia imediata para reduzir mortes, em apoio aos governos estaduais com a abertura de leitos, mas com capacitação humana. Isso faz parte de um protocolo que ainda não existe. Perdeu-se muito tempo discutindo Cloroquina, Ivermectina, e não se tratou do protocolo. A ciência já deu essa resposta — acrescentou.

Ainda segundo a médica, a crise da pandemia deverá atingir um número de mortos perto dos 600 mil. Atualmente, perto de 300 mil já morreram em decorrência da covid-19 e, ainda assim, não há uma integração do país com as rotinas médicas internacionais.

— O cenário é sombrio e podemos chegar a 500, 600 mil mortes. Mas não é apenas a covid-19, são as doenças a longo prazo, as sequelas que atingem os pacientes e eles saem sem um centro de reabilitação, saem dessa doença incapacitados para trabalhar, com sérias sequelas motoras — observa.

Invasão

Apenas o fato de ter sido convidada para substituir o militar, no entanto, gerou uma onda de ataques pessoais e ameaças à médica. Hajjar admitiu, em entrevista a jornalistas, nesta tarde, que ficou assustada com a reação violenta “desses malucos”, disse, à possibilidade de uma mudança na luta contra o coronavírus. Ludhmila Hajjar denunciou, ainda, as tentativas de invasão do hotel em que ela permaneceu em Brasília, no fim de semana. Três pessoas, em momentos diferentes, tentaram acessar o apartamento em que ela se encontrava.

— Não sei o que ia acontecer se a segurança do hotel não tivesse impedido essas pessoas. Eles tinham o número do meu quarto, o número do meu telefone celular. Isso me assustou, sim, mas tenho muita coragem. Pelo Brasil, estava disposta a passar por tudo isso, pelas ameaças de morte nas mensagens deixadas nas redes sociais, as ameaças à minha família. Mas sou uma médica que acredita na ciência, na Medicina. Na minha vida toda, tenho 43 anos, desde os 23 é UTI, emergência. Mas não esperava que isso fosse acontecer. Criaram áudios, vídeos falsos, uma verdadeira campanha de difamação criada por esses malucos que ficam fazendo isso com a gente, esperando que o Brasil dê errado — protestou.

O nome da médica Ludhmilla Hajjar foi uma indicação do presidente da Câmara, Arthur Lira, a quem ela agradeceu pela confiança.