Médicos britânicos testam ibuprofeno em pacientes com problemas respiratórios

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Publicado quarta-feira, 3 de junho de 2020 as 13:34, por: CdB

O teste envolve uma formulação particular de ibuprofeno, que pesquisadores disseram ter se mostrado mais eficiente do que o ibuprofeno convencional para o tratamento da insuficiência respiratória aguda, uma complicação da covid-19.

Por Redação, com Reuters – de Londres/Nova York

Médicos britânicos estão testando uma formulação do anti-inflamatório ibuprofeno para ver se ele diminui a parada respiratória em pacientes com sintomas graves de covid-19.

Tabletes de ibuprofeno em Manchester
Tabletes de ibuprofeno em Manchester

O teste envolve uma formulação particular de ibuprofeno, que pesquisadores disseram ter se mostrado mais eficiente do que o ibuprofeno convencional para o tratamento da insuficiência respiratória aguda, uma complicação da covid-19.

A formulação já tem licença de uso para outras doenças no Reino Unido.

– Se tiver sucesso, o valor deste teste para a saúde pública global será imenso, dado o custo baixo e a disponibilidade deste remédio – disse Matthew Hotpot, diretor do Centro de Pesquisa Biomédica NIHR Maudsley.

O teste, conhecido como “Liberate”, será um estudo aleatório, e nos próximos meses até 230 pacientes devem ser recrutados.

Ele está sendo administrado pela Guy’s & St Thomas’ NHS Foundation Trust de Londres, o King’s College de Londres e a organização farmacêutica SEEK.

A doença respiratória

Em março, o ministro da Saúde francês disse que as pessoas não deveriam usar anti-inflamatórios como o ibuprofeno se tiverem sintomas da covid-19, a doença respiratória causada pelo novo coronavírus.

Mas agências reguladoras de remédios dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia, além da Reckitt Benckiser, a fabricante do Nurofen, disseram não haver indícios de que o ibuprofeno agrava a covid-19.

Cloroquina

A publicação médica britânica Lancet disse na terça-feira que tem preocupações relacionadas aos dados de um influente artigo que indicou que a hidroxicloroquina aumenta os riscos de morte em pacientes com covid-19, conclusão que reduziu o interesse científico pelo medicamento.

O estudo publicado pela Lancet em 22 de maio analisou cerca de 96 mil pessoas hospitalizadas com covid-19 que foram tratadas com o medicamento, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou ter tomado e recomendou que outros tomassem. A hidroxicloroquina também é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro.

Vários ensaios clínicos foram suspensos após a publicação do estudo.

O artigo da Lancet, chamado “Hidroxicloroquina ou cloroquina com ou sem macrolídeo para tratamento de covid-19: uma análise de registro multinacional”, foi um estudo observacional —o que significa que compilou dados do mundo real, em vez de realizar um ensaio clínico tradicional, e usou dados fornecidos pela empresa de análise de dados de saúde Surgisphere.

Na semana passada, a Lancet publicou uma correção do estudo sobre a localização de alguns pacientes após críticas à sua metodologia, mas disse que as conclusões não foram alteradas.

Também na semana passada, quase 150 médicos assinaram uma carta aberta enviada à Lancet questionando as conclusões do artigo e pedindo a divulgação dos comentários da revisão por pares que levaram à publicação.

Estudo

– Isso não é uma situação secundária ou uma questão menor – disse Walid Gellad, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, que não assinou a carta, mas tem sido um crítico do estudo.

– Estamos em uma pandemia sem precedentes. Nós organizamos esses enormes ensaios clínicos para descobrir se algo funciona. E esse estudo paralisou alguns desses ensaios, além de mudar a narrativa em torno de um medicamento que ninguém sabe se funciona ou não – afirmou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu o uso da hidroxicloroquina em um grande teste clínico com pacientes de coronavírus após o estudo da Lancet. Na esteira da suspensão pela OMS, os governos da França, Itália e Bélgica também interromperam o uso do medicamento em pacientes da covid-19.

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