Médicos denunciam desmonte de hospitais públicos pelo governo Doria

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Publicado segunda-feira, 28 de dezembro de 2020 as 13:46, por: CdB

Médicos do Emílio Ribas e do Hospital Universitário da USP denunciaram o desmonte de hospitais públicos no Estado de São Paulo, pelo governador João Doria. Oposição ao governador na Assembleia Legislativa de São Paulo deve tomar ações para apurar denúncias.

Por Redação, com de RBA – de São Paulo

Médicos do Emílio Ribas e do Hospital Universitário da USP denunciaram o desmonte de hospitais públicos no Estado de São Paulo, pelo governador João Doria.

Hospital Universitário da USP: sem capacidade para atender os casos de covid-19
Hospital Universitário da USP: sem capacidade para atender os casos de covid-19

O deputado federal Alexandre Padilha (PT) disse nas redes sociais nesta segunda-feira que a oposição ao governador na Assembleia Legislativa de São Paulo deve tomar ações para apurar essas denúncias de desmonte de hospitais públicos no Estado.

Padilha fez referência a um artigo publicado pela médica infectologista do Hospital Emílio Ribas Marta Ramalho, que atua na instituição desde 1992. No artigo, publicado no Vi o Mundo, a médica denuncia que mais um andar do hospital vai passar para a gestão da organização social (OS) Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

– Triste por ter acabado de saber que mais um andar (desta vez, o oitavo) se transformará em unidade SPDM. Com o pretexto quiçá falso de que não há enfermagem suficiente. Pretexto, aliás, não suficientemente demonstrado e combatido por quem teria a possibilidade de revertê-lo. Ao final, do Emílio ‘Raiz’, sobrará, até aqui, o ambulatório, uma UTI, o PS, o terceiro andar e o sexto andar – afirma a médica. Ela denuncia que a operação é feita no apagar das luzes de 2020.

Hospital Universitário

– Hospitais Públicos de São Paulo desmontados pelo governo do Estado, em meio à pandemia. No domingo denunciamos o que acontece no Emilio Ribas. Hoje reproduzimos o que diz o médico infectologista Gerson Salvador, no Hospital Universitário da USP – disse Padilha em sua conta no Twitter. Também nas redes sociais, o médico denuncia a explosão de casos de covid-19 e a insuficiência dos hospitais públicos em atender a demanda.

– Já acionamos parlamentares da Assembleia. Governo Doria tem que ser convocado, MP estadual acionado – disse Padilha. “Os parlamentares, na Assembleia, podem constituir uma ação rápida de diligência para apurar denúncias feitas pela Associação de trabalhadores e de médicos do Emilio Ribas e pelos médicos do HU. Inadmissível governo Doria!”, afirmou Padilha, indicando que os deputados estaduais Paulo Fiorilo e Emídio de Souza, ambos do PT, devem tomar as medidas.

Brasil ultrapassa 191 mil mortes

O Brasil registrou, nas últimas 24 horas, 18.479 novos casos de covid-19 e 344 mortes decorrentes da doença, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Agora, o país soma 191.139 óbitos e 7.484.285 contaminações pelo coronavírus.

A média móvel de casos dos últimos 7 dias é de 35.098 e a de mortes no período chega a 625. A taxa de letalidade da doença é de 2,6% no país. É a primeira vez que o registro de óbitos no domingo supera os números de sábado.

De acordo com levantamento feito pela Universidade Johns Hopkins, no domingo o mundo ultrapassou a marca de 80 milhões de casos de covid-19. Eram 80.441.307 diagnósticos positivos para a doença e 1.759.604 óbitos até as 11 horas de domingo.

Tanto em contaminações como em óbitos decorrentes da covid-19, os Estados Unidos lideram em números absolutos, com 18.986.236 casos oficiais e 331.930 mortes. O Brasil é o terceiro país do mundo com mais infecções, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia, e o segundo em número absoluto de mortos.

SP supera número de casos

O estado de São Paulo superou em 52%, nos últimos 30 dias, o total de casos de covid-19 confirmados nos 100 primeiros dias da pandemia.

No período entre 27 de novembro e 27 de dezembro foram 196.909 novos casos. O primeiro caso de São Paulo e do Brasil foi registrado em 26 de fevereiro e a marca dos 100 dias foi atingida em 4 de junho, quando o estado registrou 129.200 contaminações.

No total, já são 45.863 mortes e 1.426.176 casos confirmados no estado, conforme dados deste domingo. As taxas de ocupação dos leitos de UTI chegam a 65,6% na Grande São Paulo e 61,1% no estado. O número de pacientes internados é de 10.648, sendo 5.806 em enfermaria e 4.842 em unidades de terapia intensiva (UTIs).