Médicos infectados e falta de recursos agravam surto do Covid-19 na Itália

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Publicado segunda-feira, 23 de março de 2020 as 14:28, por: CdB

No hospital italiano Oglio Po, 25 dos 90 médicos estão infectados com o coronavírus, o que agrava a pressão enfrentada por um sistema de saúde sobrecarregado pelo segundo pior surto do mundo.

Por Redação, com Reuters – de Milão

No hospital italiano Oglio Po, 25 dos 90 médicos estão infectados com o coronavírus, o que agrava a pressão enfrentada por um sistema de saúde sobrecarregado pelo segundo pior surto do mundo.

Hospital Oglio Po em Cremona, Itália
Hospital Oglio Po em Cremona, Itália

Somando-se a isso, enfermeiras, técnicos e outros funcionários, um quinto dos empregados do hospital foi diagnosticado com a doença, disse a diretora Daniela Ferrari.

Eles e agentes de saúde como eles quase certamente disseminaram o vírus involuntariamente antes de precisarem de tratamento ou de se isolarem, disseram pesquisadores e sindicatos.

O quadro é o mesmo em outros hospitais, entre famílias de médicos e em casas de repouso, exacerbado pela falta de máscaras e luvas suficientes quando o surto foi detectado um mês atrás, dizem líderes do setor, sindicatos e médicos.

– Estamos no limite de nossas forças – disse o doutor Romano Paolucci, que abandonou a aposentadoria para ajudar o hospital Oglio Po, próximo de Cremona, uma das cidades mais atingidas da região da Lombardia.

– Não temos recursos suficientes, e especialmente funcionários, porque, além de todo o resto, agora os servidores estão começando a adoecer.

Na Lombardia, região com o maior número de casos e mortes, pelo menos dois hospitais se tornaram focos de contaminação, pacientes contaminaram pessoal médico, que em seguida espalhou a doença ao circular em suas comunidades antes de uma interdição severa ser imposta.

Este é um dos fatores que vêm ajudando o vírus a se disseminar tão rapidamente, disse Giuseppe Remuzzi, diretor do Instituto de Pesquisa Farmacológica Mario Negri.

– Pacientes infectaram outros pacientes e médicos, que depois saíram e contaminaram outros – explicou Remuzzi.

Em nível nacional, 4.268 agentes de saúde, ou 0,4% do total, haviam contraído o vírus até 20 de março, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde.

Bergamo

Em Bergamo, cidade do nordeste da Lombardia, 134 de 600 médicos de família, ou 22%, adoeceram ou foram postos em quarentena, disse Guido Marinoni, chefe da associação local de clínicos gerais. Três médicos morreram.

Nas casas de repouso da cidade, a situação é ainda pior, já que 1.464 de 5.805 agentes de saúde adoeceram, disse.

Bergamo ficou tão sobrecarregada que o cemitério ficou superlotado, e o Exército foi acionado para levar corpos para outras províncias.

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