Mercadante: ‘CPI não pode se limitar ao MST’

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Publicado sexta-feira, 4 de julho de 2003 as 21:57, por: CdB

Um dia depois de o líder do bloco governista no Senado, Tião Viana, garantir que o governo não tentará impedir a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Movimento dos Sem-Terra, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, afirmou que a investigação não pode ter como alvo, apenas, as ações do MST.

– E as milícias contratadas por fazendeiros para impedir as invasões? E a grilagem das terras devolutas da União? Por que não investigar estes temas também? – questiona o senador.

A questão sobre a falta de um foco definido dos trabalhos da CPI, adianta Mercadante, será levada ao colégio de líderes da Casa pelo PT.

E isso vai ocorrer somente em agosto, explica o senador, uma vez que a convocação extraordinária em julho será ocupada pela apreciação das reformas tributária e da Previdência.

– Não há nenhuma possibilidade de essa CPI funcionar agora. Portanto, temos tempo – diz.

Mercadante criticou duramente a iniciativa de instalação da CPI, por parte do senador tucano Arthur Virgílio.

– Achei muito estranha essa iniciativa do PSDB. Durante os oito anos em que governaram o País, os tucanos não tiveram um projeto de reforma agrária capaz de conter a violência no campo – classificou.

Para o senador, o requerimento de instalação da CPI foi uma tentativa da oposição de explorar a imagem amistosa do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes do MST, quarta-feira, no Palácio do Planalto.

– Usaram o encontro como pretexto. Foi uma atitude despropositada. É importante para a sociedade que o governo dialogue com os movimentos sociais – disse.

Rusgas partidárias à parte, o senador faz questão de citar medidas que vêm sendo tomadas pelo governo para resolver as questões do campo, como a ampliação do crédito agrícola e o incentivo à agricultura familiar.

Num recado para a oposição, deixa claro que os problemas do campo não serão resolvidos no âmbito de uma CPI.

– Já tomamos medidas para acelerar o processo de reforma agrária. E essa é a melhor resposta à violência no campo – observa.