Mercado imobiliário perde locatários nas áreas mais luxuosas

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Publicado quinta-feira, 21 de janeiro de 2021 as 17:02, por: CdB

No início da quarentena, muitos proprietários concederam descontos nos aluguéis por 90 dias, o que fez os inquilinos adiarem para o segundo semestre as decisões de manter a sede ou fazer mudanças. Mas a crise se prolongou, e muitas empresas fecharam ou estenderam o regime de home office aos seus funcionários, o que motivou as devoluções de áreas inteiras.

Por Redação – de São Paulo

O perfil dos escritórios mais luxuosos da capital paulista mudou, ao longo dos últimos 10 meses. Desde o início da pandemia de covid-19. O setor de aluguéis para empresas fechou 2020 com aumento no número de imóveis vazios, com a devolução dos espaços por inquilinos e novas locações adiadas.

Escritórios de alto luxo, hoje em dia, estão vazios, trocados pelo regime de trabalho em casa

Dados colhidos por associações empresariais mostram que a desocupação subiu de 14,6% em 2019 para 18,2% em 2020, considerando a área disponível para locação nos prédios de classes A e B, nos bairros mais elegantes de São Paulo. De acordo com a consultoria Siila, no ano passado, as devoluções superaram as novas locações em 119 mil metros quadrados, levando ao aumento na vacância.

No início da quarentena, muitos proprietários concederam descontos nos aluguéis por 90 dias, o que fez os inquilinos adiarem para o segundo semestre as decisões de manter a sede ou fazer mudanças. Mas a crise se prolongou, e muitas empresas fecharam ou estenderam o regime de home office aos seus funcionários, o que motivou as devoluções de áreas, relata presidente da consultoria da Siila, Giancarlo Nicastro, ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo.

— Do total de entregas de chaves, cerca de 90% foram feitas pelas empresas de pequeno e médio porte, que alugavam até 1 mil metros quadrados. Elas têm menos fôlego financeiro e sentem mais o efeito da crise — avaliou o diretor de locação da CBRE, Felipe Robert Giuliano.

Estagnado

Mas nem tudo está relacionado à crise. Muitas companhias já vinham buscando otimizar seus escritórios, cortar custos relacionados a áreas ociosas e até mesmo implantar voluntariamente estações de trabalho rotativas e home office, pondera a presidente da Newmark, Marina Cury. 

Levantamento da consultoria Siila feito exclusivamente com prédios de classe A captou alta na vacância de 16,1% em 2019 para 20,8% em 2020. Nesse mercado, as devoluções superaram as locações em 46 mil metros quadrados.

Para a presidente da Newmark, no entanto, a boa notícia é que o último trimestre de 2020 mostrou, praticamente, um reequilíbrio entre áreas devolvidas e novos aluguéis. Antes, no segundo e no terceiro trimestres, havia muito mais saídas do que entradas. Mas como o mercado ainda está pressionado, os preços dos aluguéis devem permanecer estagnados.