Mesmo sob ameaças, milhares vão às ruas contra golpe em Myanmar

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Publicado segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021 as 12:07, por: CdB

Segundo dados de agências internacionais, pelo menos duas pessoas foram mortas por policiais no sábado, além de dezenas terem ficado feridas também no domingo. Nesta segunda-feira, os moradores voltaram às ruas. Desde os primeiros atos, três pessoas morreram.

Por Redação, com ANSA – de

No fim de semana mais violento desde 1º de fevereiro, centenas de milhares de pessoas foram às ruas das principais cidades de Myanmar protestar contra o golpe de estado aplicado pelos militares.

Protestos já contabilizam três mortos, mas manifestantes seguem nas ruas

Segundo dados de agências internacionais, pelo menos duas pessoas foram mortas por policiais no sábado, além de dezenas terem ficado feridas também no domingo. Nesta segunda-feira, os moradores voltaram às ruas. Desde os primeiros atos, três pessoas morreram.

Os manifestantes ignoraram as ameaças das Forças Armadas que, nos últimos dias, têm usado armas letais contra os cidadãos.

Além disso, grande parte dos comerciantes aderiram à greve nacional contra o golpe.

Um texto dos militares lido na emissora estatal “MRTV” acusava os líderes dos atos de “incitarem pessoas, especialmente adolescentes e jovens emotivos, para um combate onde eles vão sofrer com a perda da vida”.

As ameaças, porém, não surtem efeito. Os protestos diários pedem a retomada da democracia e a libertação dos principais políticos do país: Aung San Suu Kyi, a líder “de facto” de Myanmar, e o presidente Win Myint.

Além da pressão interna, órgãos e governos internacionais também continuam criticando o golpe de Estado, a repressão contra os manifestantes e pedindo a libertação dos políticos detidos.

– Eu condeno o uso da violência mortal em Myanmar. O uso da força letal, da intimidação e das violências contra os manifestantes pacíficos é inaceitável. Todo mundo tem o direito de se manifestar pacificamente. Eu chamo as partes para respeitar os resultados eleitorais e retornar à ordem civil – escreveu o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, em sua conta no Twitter.

A União Europeia informou nesta segunda-feira que “em resposta ao golpe de estado militar”, o bloco está preparado para adotar “medidas restritivas contra os responsáveis diretos”.

“A União Europeia buscará evitar medidas que possam ter repercussões negativas na população de Myanmar, sobretudo nos mais vulneráveis. O Conselho [de Relações Exteriores] convida o alto representante e a Comissão Europeia a desenvolver propostas nesse sentido”, diz o documento ao fim da reunião dos chanceleres europeus.

Já tendo adotado sanções contra os golpistas, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, informou que o país “continuará a agir de maneira firme contra aqueles que usam a violência contra a população de Myanmar enquanto continuamos pedindo a retomada do governo democraticamente eleito”.

O golpe 

Os militares deram um golpe de estado no dia 1º de fevereiro, data em que os parlamentares eleitos em 8 de dezembro deveriam ter tomado posse. Naquele dia, eles prenderam Suu Kyi, que não pode ser presidente por ter filhos com um homem estrangeiro, e Myint sob a alegação que houve “fraudes” nas eleições, algo nunca comprovado pelas Forças Armadas.

Depois de detidos, porém, os dois líderes foram acusados de outros crimes. No caso da Nobel da Paz de 1991, por violar uma lei de comércio internacional na importação de rádios de comunicação e por violação da lei de catástrofes ambientais por conta da pandemia de covid-19. Este último também foi imputado a Myint, que está preso em regime domiciliar com Suu Kyi.

Na eleição de dezembro, o partido da líder política, o Liga Nacional para a Democracia (NLD), teve uma vitória avassaladora, com mais de 70% dos votos na segunda eleição civil e democrática consecutiva desde 2015, o país passou 25 anos sem poder eleger seus representantes.

Porém, os militares não aceitaram o resultado. Além de terem direito por conta de uma lei de 2008 a ter 25% das vagas do Parlamento e nomearem três ministros importantes (Defesa, Relações Exteriores e Interior), os militares apoiavam uma sigla de oposição civil – que teve resultados pífios na disputa.

 

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