Mestres em Economia lançam manifesto contra política de gestão da Petrobras

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Publicado quinta-feira, 31 de maio de 2018 as 16:29, por: CdB

“Com essa política, a Petrobras passou a repassar os riscos econômicos da volatilidade dos preços para os consumidores; com o objetivo de aumentar os dividendos de seus acionistas”. A declaração consta de nota divulgada, nesta quinta-feira.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Em nota, divulgada nesta quinta-feira, professores do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); uma das mais conceituadas da América Latina, questionam a política de gestão da estatal do petróleo, a Petrobras.

Pedro Parente, presidente da Petrobras
Política de Pedro Parente, presidente da Petrobras, é lesiva ao país

Sob o título Subsídios para o Diesel Importado?, os professores ressaltam que “recentemente, o conselho de administração da Petrobras; negligenciando os efeitos danosos da volatilidade no preço do petróleo para a atividade econômica, decidiu manter os preços dos combustíveis alinhados com os preços dos derivados no mercado internacional; independentemente dos custos de produção da companhia.

“Com essa política, a empresa passou a repassar os riscos econômicos da volatilidade dos preços para os consumidores com o objetivo de aumentar os dividendos de seus acionistas. A crise provocada pela reação dos caminhoneiros a essa política é fruto desse grave equívoco.

Refinarias ociosas

“Para superar essa crise, é indispensável rever essa política. No entanto, o governo decidiu preservá-la, propondo um subsídio para o diesel com reajustes mensais no seu preço. O governo estima que essas medidas custarão R$ 13 bilhões aos cofres públicos até o final do ano, dos quais mais de R$ 3 bilhões serão gastos para subsidiar o diesel importado. O ministro Guardia justificou essa medida econômica heterodoxa como necessária para preservar a competitividade do diesel importado.

“O Brasil importou 25,4 milhões de barris de gasolina e 82,2 milhões de barris de diesel no ano passado, porém exportou 328,2 milhões de barris de petróleo bruto. Na prática, esse petróleo foi refinado no exterior para atender o mercado doméstico, deixando nossas refinarias ociosas (31,9%) em março de 2018.

“Nesse processo, os brasileiros pagaram os custos da ociosidade das refinarias da Petrobras e aproximadamente US$ 730 milhões anuais pelo refino de seu óleo no exterior. Não é racional que o Brasil subsidie diesel importado para absorver a capacidade ociosa de concorrentes comerciais.

Irracional

“A Petrobras foi criada para garantir o suprimento doméstico de combustíveis com preços racionais. Não é razoável que o presidente da Petrobras declare que o petróleo produzido no Brasil é rentável a US$ 35 dólares/barril e proponha oferta-lo aos brasileiros a US$ 70/barril.”

Assinam o documento os seguintes professores do Instituto de Economia:
Adilson de Oliveira
André Modenesi; Ary Barradas
Carlos Frederico Leão Rocha; Carlos Medeiros
David Kupfer; Denise Lobato Gentil; 
Eduardo Costa Pinto
; Esther Dweck; Fernando Carlos
; Franklin Serrano; 
Isabela Nogueira; 
João Saboia; 
João Sicsú
; José Eduardo Cassiolato
; José Luís Fiori; 
Karla Inez Leitão Lundgren; 
Lena Lavinas; 
Lucia Kubrusly; 
Luiz Carlos Prado; Luiz Martins; 
Maria da Conceição Tavares
; Marina Szapiro; 
Marcelo Gerson Pessoa de Matos; 
Marta Castilho; René Carvalho
Ronaldo Bicalho
; Valéria VInha
 e Victor Prochnik.

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