A meta da resistência é Democracia e Soberania

Arquivado em: Opinião, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 3 de dezembro de 2018 as 10:25, por: CdB

“Não podemos aceitar que os vícios do sistema capitalista que permitiram o golpe e a eleição de um agente do imperialismo à Presidência do país, se introduzam como virus da traição no processo que vai gerar uma aliança ética entre classes, incluindo vários setores da sociedade que será capaz de reconstruir um Brasil democrático e emergente no plano internacional”.

Por Zillah Branco – de Brasília

O sistema capitalista formou a consciência pública com os valores fundamentais à multiplicação do capital para assegurar o poder aos seus detentores. Tornou-se um vício irracional a preocupação em alcançar lucros mesmo à custa da exploração dos mais fragilizados na sociedade, de vender bens alheios (portanto roubando), de escravisar e fazer uso de pessoas em troca de alimentação, de corromper pessoas com poder no Estado para obter vantagens políticas.

O sistema capitalista formou a consciência pública com os valores fundamentais à multiplicação do capital para assegurar o poder aos seus detentores

As leis vão sendo adaptadas para aceitarem como válidas estas ladroagens. Assim se chegou, por exemplo, agora em Portugal, à cobrança de dois impostos estaduais sobre as contas de energia elétrica que acrescentam 55% do custo da parcela consumida.

Outros vícios implantados pelo sistema capitalista, através da cultura formada pela comunicação social, é a aceitação de preconceitos, assim como de mentiras ou “fake news”, que condena a serem pobres todos os que são privados do acesso às escolas, à saúde, às condições essenciais de vida humana, como se isto fosse uma fatalidade ou causado por culpa dos mesmos pobres.

O sistema capitalista esconde a ladroagem que sempre usa, desde que uma elite se apossou das terras e dos bens por meio de invasões e muita violência, há séculos atrás, quando se formou a burguesia que definiu o Estado moderno e teve início a produção industrial na Europa expandindo-se por outros continentes que sofreram a colonização e foram dominados pela mesma elite burguesa.

A história é antiga e hoje tornou-se conhecida devido à luta dos povos contra a escravidão e os abusos de poder da elite, obrigando-a a disfarçar-se de “democrata” e a criar uma versão do Estado “de direito”.

O Brasil

O Brasil teve, no governo de Getúlio, a introdução dos princípios de independência econômica – para afirmar a soberania nacional perante a cobiça do neo-colonialistas – e o reconhecimento de direitos trabalhistas que definiam como classe social os pobres; mas foi com Lula na Presidência da República, que o Estado implantou os recursos sociais para elevar as condições de vida da classe trabalhadora para que se beneficiasse das condições de desenvolvimento como cidadãos de pleno direito.

Como esta mudança só poderia ter sido feita impedindo alguma ladroagem do sistema capitalista, para melhor dividir a renda nacional, alguns políticos anti-pátria, como Temer e sua quadrilha, abriram as portas ao golpe com o apoio do imperialismo norte-americano.

Agora, diante da instauração de um governo composto por emissários do imperialismo, cabe ao povo criar uma Frente de Luta, constituida pela classe trabalhadora e todas as organizações de massa formadas para defender a igualdade democrática e a liberdade de desenvolvimento cidadão, contra os opressores que ocuparam o governo e o Estado tornado “de exceção”.

Certamente não será fácil limar as diferenças entre organizações que têm histórias próprias, desenvolvidas em momentos históricos diferentes. Serão necessários muitos debates e diálogos para compreender os problemas e adaptarem-se ao objetivo comum de vencer os invasores que agem como ditadores e retiram as liberdades que o povo conquistara. Mas, o que não se poderá aceitar é que tenham objetivos, pessoais ou de grupo, que contrariem o objetivo de todo o povo, enfraquecendo o caminho e a confiança na luta que os une. Esta é uma condição básica para garantir a estratégia da resistência nacional.

Não podemos aceitar que os vícios do sistema capitalista, como vimos acima, que permitiram o golpe e a eleição de um agente do imperialismo à Presidência do país, se introduzam como virus da traição no processo que vai gerar uma aliança ética entre classes, incluindo vários setores da sociedade que será capaz de reconstruir um Brasil democrático e emergente no plano internacional.

Zillah Branco, é  cientista Social, consultora do Cebrapaz. Tem experiência de vida e trabalho no Chile, Portugal e Cabo Verde.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *