México, um olhar para o horizonte

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Publicado sexta-feira, 13 de julho de 2018 as 22:20, por: CdB

Somente nesta campanha eleitoral de 2018, a mais violenta, foram assassinados 136 militantes ativistas, dos quais 48 eram candidatos e pré-candidatos.

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

A história deste país com fronteira exclusiva com os EUA, por si só guarda características especiais e traumáticas, para além do pulsante coração do império espanhol, com raízes profundas da sociedade colonial. Raízes imperiais que ainda acompanham esta sofrida América Latina, com desigualdades crônicas ao longo da sua história de independências inconclusas, pacíficas e violentas.

Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil
Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil

México contabilizou no ano passado mais de 25 mil assassinatos, uma soma ainda questionável, por envolver agentes comprometidos com a lógica de guerra às drogas promovida pelo Pentágono norte-americano no continente, com resultados negativos .

Somente nesta campanha eleitoral de 2018, a mais violenta, foram assassinados 136 militantes ativistas, dos quais 48 eram candidatos e pré-candidatos. Em disputa mais de 3000 cargos executivo e legislativo local e regional.

Aliança

Em um país como este, uma das atividades mais arriscadas é a de jornalista,  dificultando bastante  a apuração e circulação fidedigna da informação real e objetiva dos fatos.

É neste quadro que se materializa a vitória da coligação “Juntos Faremos História”, unindo Morena (movimento de regeneração nacional), PT (partido do trabalho) e PES (partido encontro social). Andrés Manuel Lopez Obrador chega a presidência consagrado, com uma vitória anunciada já em 2006 e desta vez, com uma vantagem de 30% sobre o segundo colocado.

Obrador perdeu em apenas um dos 32 estados mexicanos. Vitória consagradora também na Câmara dos Deputados e no Senado, com a maioria absoluta na representação e uma paridade de gênero jamais vista, com mulheres ocupando 49,2% no Senado e 48,6% na Câmara.

Certamente é a maior conquista do ponto de vista governamental, mas com implicações no sistema de poder ainda indefinidas no universo da composição desta aliança, considerando as questões internas e externas.

Aguardemos o aflorar das contradições internas, envolvendo diversos interesses complexos: no enfrentamento da corrupção, nos programas inclusivos e o incômodo vizinho Trump.

A relevância dos temas externos, onde o tratado de livre comércio, migração, muro, segurança, desenvolvimento inclusivo já sinalizam mudanças significativas para o vizinho dominador.

A separação entre o interesse real e o oportunismo eleitoral aparecerá naturalmente, seja interna ou externa, como lição aos “hermanos” do sul. Acompanhemos todos…

Tailândia solidária e totalitária

Sem dúvida foi acompanhada pelo mundo inteiro a ação solidária de resgaste dos 12 meninos e o técnico de 25 anos, retidos em uma das cavernas deste país e envolvendo mais de 1,3 mil pessoas, entre elas, mergulhadores profissionais estrangeiros. Um trio britânico foi contatado, chegando ao país três dias após o desaparecimento.

John Volanthen, consultor de TI, foi o primeiro contato dos meninos e o técnico, após 9 dias presos no subsolo, a uma profundidade . Richard Stanton, ex-bombeiro e de uma equipe de resgaste em cavernas do País de Gales, junto com o John. Robert Harper, um especialista em espeleologia (ciência de estudo das grutas).

O australiano, médico anestesista e especialista em medicina de expedições e operações de resgate, Richard Harris, conhecido como “médico de Adelaide”, experimentado mergulhador, foi incluído à pedido do trio britânico. Foi ele quem examinou o grupo preso, dando o sinal verde para operação efetivada, assim como a supervisão dos meninos mais debilitados, ao longo de três dias. Ressalte-se o falecimento do pai que tomou conhecimento apenas ao final do bem sucedido resgate.

Saman Gunan, tailandês, mergulhador aposentado da Marinha, voluntário na operação, faleceu durante entrega de tanques de ar. Um exemplo local de solidariedade, sempre dedicado à ações de ajuda.

Este seria o início do roteiro de um futuro filme, já disputado por produtoras internacionais. Envolvendo numerosas forças especiais tailandesas, de um regime ditatorial, destas, quatro membros se destacaram, um médico, Pak Loharnshoon, e três mergulhadores, não identificados, por razões militares.

Os quatros foram voluntários à permanecer junto com os meninos e o técnico, desde o encontro, até o último dia do resgate. Esta unidade especial foi liderada pelo contra-almirante, ArpakornYuukongkaew, um providencial interlocutor com a imprensa nos primeiros dias.

Pesquisando os tantos nomes estrangeiros, encontramos o belga, Ben Reymenants, dono de uma loja de mergulho; o dinamarquês, Claus Rasmussen, instrutor de mergulho, há anos na Tailândia; o filandês, Mikko Paasi, especialista em mergulho de destroços e cavernas, fundador de um centro de mergulho na ilha tailandesa Koh Tao; o dinamarquês, especialista em mergulho e morador na ilha Koh Tao, Ivan Karadzic, também do centro de mergulho junto com Paasi; o canadense, Erik Brown, instrutor de mergulhos técnicos de Vancouver e; os quase cem nomes desconhecidos…

Neste mesmo roteiro, a contextualização de um governo ditatorial, onde o primeiro ministro, Prayuth Chan-ocha é chefe de uma junta militar e mentor de um golpe militar, amparado por uma monarquia, que recusa restabelecer a democracia desde 2014.

O esforço midiático envolvendo uma operação de resgate, poderia ser direcionado também para as melhorias de trabalho no cultivo do arroz, para erradicação da AIDS e tratamentos preventivos do câncer, por exemplo, para muito além das liberdades democráticas inexistentes…

Crivella só governa para os fiéis

A igreja evangélica mais uma vez envolvida com as relações promíscuas e privilegiadas do poder municipal carioca. Mesmo com salários atrasados e um sucateamento deliberado na saúde carioca, o pior prefeito do Rio de Janeiro, entre cultos públicos e cafés em comunhão, em repartições, revolve ofertar soluções tributárias e cirurgias apenas para os bem-aventurados fiéis da sua igreja.

Coisas do partido republicano brasileiro…
Por favor, evite falar com a Márcia do prefeito, se você não é evangélico…

*Lula livre e prisioneiro*

Uma prisão que ajuda na compreensão do golpe parlamentar, judicial e midiático. O ex-presidente completa 96 dias em uma cela da superintendência da PF, em Curitiba, mesmo com um habeas corpus concedido por um desembargador de plantão.

Entre idas e voltas, ligações de Portugal, interferências midiáticas e desrespeito ao processo legal estabelecido, o domingo último movimentou o Brasil cavernoso. Interessante quando concederam o HC ao médico estuprador Abdelmassih nenhum telefonema ou noticiário o impediu de fugir inclusive!

Resumo da ópera, em qualquer país desenvolvido, os senhores, Sérgio Moro, João Pedro Gebran e Carlos Eduardo Thompson e a senhora Laurita Vaz deveriam prestar reexame concursal para justificarem a permanência laboral pública.

Afinal, a única pessoa com responsabilidade direta processual, era e é a juíza, Carolina Lebbos. O direito à defesa e ao devido processo legal anda ausente neste golpe, bem amparado pelo eterno patrimonialismo deste judiciário, acompanhado internacionalmente.

Marielle e Anderson, mais um caso pendente

Completa-se mais de 120 dias, sem resposta dos poderes envolvidos, desconstituídos, na investigação das mortes da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes. Investigações envolvendo militares, nem sempre encontram conclusões esperadas e detalhadas.

No meio de uma intervenção militar federal estas implicações são patentes, considerando os recursos de inteligência disponibilizados.

Por Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do jornal Correio do Brasil.

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