Mianmar destruiu vilarejos de rohingyas após campanha de ‘faxina étnica’, diz ONG

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Publicado sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018 as 10:55, por: CdB

As descobertas do grupo de direitos humanos sediado em Nova York foram publicadas depois que Mianmar fez um acordo de ajuda humanitária com a Organização das Nações Unidas

Por Redação, com Reuters – de Yangon:

Mianmar demoliu ao menos 55 vilarejos de onde expulsou moradores muçulmanos rohingyas durante episódios de violência iniciados no ano passado, denunciou o grupo Human Rights Watch nesta sexta-feira, citando uma análise de novas imagens de satélite.

Mianmar destruiu vilarejos de rohingyas após campanha de “faxina étnica”, diz Human Rights Watch

A entidade disse que as demolições na parte norte do Estado de Rakhine podem ter destruído indícios de atrocidades cometidas; por tropas que percorreram vilarejos depois que insurgentes rohingyas atacaram 30 postos policiais e uma base do Exército em 25 de agosto.

A reação militar aos ataques de agosto levou 688 mil pessoas a fugirem pela fronteira com Bangladesh; muitas delas relatando assassinatos, estupros e incêndios criminosos levados a cabo por soldados e policiais de Mianmar.

As descobertas do grupo de direitos humanos sediado em Nova York foram publicadas; depois que Mianmar fez um acordo de ajuda humanitária com a Organização das Nações Unidas (ONU); e o Japão, sinal de uma mudança nas relações tensionadas entre o governo e a ONU.

A ONU e os Estados Unidos pediram o fim do que foi descrito como “faxina étnica” dos rohingyas; mas o governo de Aung San Suu Kyi, ganhadora do prêmio Nobel da Paz, impediu o acesso de investigadores da ONU; e de monitores independentes à zona de conflito.

Mianmar diz que suas forças estão envolvidas em uma campanha legítima contra “terroristas” muçulmanos.

A Human Rights Watch

A Human Rights Watch disse que um total de 362 vilarejos foram parcial ou completamente destruídos desde agosto. Desde o final do ano passado; alguns destes vilarejos; e ao menos dois assentamentos antes intactos, foram arrasados, afirmou.

– Muitos destes vilarejos foram cenários de atrocidades contra rohingyas e deveriam ser preservados; para que os especialistas indicados pela ONU para documentar estes abusos possam avaliar adequadamente os indícios para identificar os responsáveis – disse Brad Adams; diretor da Human Rights Watch para a Ásia.

– Demolir estas áreas ameaça apagar tanto a lembrança quanto as reivindicações legais dos rohingyas que moravam ali.

A Human Rights Watch disse que uma série de imagens feitas por satélite mostrou que dois vilarejos da área chamados Myin Hlut não foram danificados pelo fogo e que “provavelmente eram habitáveis” antes de serem “destruídos e aplainados por maquinário pesado” entre 9 de janeiro e 13 de fevereiro.

O porta-voz governamental Zaw Htay não estava disponível de imediato para comentar.

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