Michael Cohen descreve Trump como vigarista e mentiroso

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Publicado quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019 as 10:59, por: CdB

Em testemunho ao Congresso, Michael Cohen diz que presidente dos EUA ordenou pagamentos para silenciar atriz pornô e tinha conhecimento prévio do vazamento de e-mails pelo Wikileaks que prejudicariam campanha de Hillary.

Por Redação, com DW – de Washington

O advogado Michael Cohen descreveu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um “racista” e um “vigarista”, durante testemunho a um comitê do Congresso norte-americano, em Washington, na quarta-feira.

“Eu não vou mais proteger o Sr. Trump”, disse Cohen.

Trump teria usado seu círculo de aliados para encobrir acusações sexuais que poderiam ter afetado sua carreira política e teria mentido durante a campanha eleitoral de 2016 sobre seus interesses empresariais na Rússia, relatou Cohen.

As declarações foram feitas durante testemunho de Cohen ao Comitê de Supervisão e Reforma da Câmara dos Representantes em meio a investigações do conselheiro especial Robert Mueller sobre um possível conluio entre a campanha de Trump e a Rússia. Mueller também avalia se o presidente norte-americano tentou obstruir a investigação.

O ex-advogado de Trump é o primeiro dos antigos aliados do presidente norte-americano a revelar detalhes sobre o funcionamento interno do seu círculo político e econômico. Ele comparou Trump a um mafioso que exige lealdade cega de seus subordinados e espera que eles mintam para protegê-lo mesmo que isso implique na quebra da lei.

– Eu não vou mais proteger o Sr. Trump – disse. “Minha lealdade ao Sr. Trump me custou tudo: a felicidade da minha família, amizades, minha licença como advogado, minha empresa, minha fonte de renda, minha honra, minha reputação e em breve minha liberdade”, disse. “Não vou cruzar os braços, ficar sem dizer nada e permitir que ele faça o mesmo ao país.”

Cohen afirmou aos parlamentares que Trump recebeu bem a notícia de que e-mails que poderiam prejudicar sua rival democrata, Hillary Clinton, seriam divulgados pelo Wikileaks durante a campanha eleitoral de 2016 e que o atual presidente dos EUA tinha conhecimentos prévios sobre o tema antes da divulgação dos dados.

Segundo o depoimento de Cohen, Trump ficou sabendo do caso através de seu aliado de longa data e conselheiro de campanha Roger Stone. “O Sr. Stone disse ao Sr. Trump que tinha acabado de falar no telefone com Julian Assange e que o Sr. Assange dissera ao Sr. Stone que, dentro de alguns dias, haveria uma divulgação em massa de e-mails que prejudicariam a campanha de Hillary Clinton. O Sr. Trump respondeu afirmando que o efeito disso ‘seria ótimo'”, disse Cohen.

– Muita gente me perguntou se Trump sabia sobre a divulgação de e-mails de Clinton ainda antes de eles terem sido tornados públicos. A resposta é sim – disse Cohen. Essas declarações de Cohen contrariam afirmações de Trump, que dissera desconhecer por completo qualquer envolvimento dos seus assessores na divulgação dos e-mails.

Stone foi preso em janeiro sob acusações de testemunho falso e obstrução da Justiça na investigação sobre a Rússia, tendo negado a conversa com Trump sobre o Wikileaks.

Contudo, Cohen disse a parlamentares não ter evidência direta de um conluio com a Rússia para a eleição de Trump, principal foco da investigação de Mueller, embora suspeitasse disso.

Em outra frente das acusações, Cohen disse que Trump teria ordenado e coordenado pagamentos à atriz de filmes ponográficos Stephanie Clifford, conhecida como Stormy Daniels. O dinheiro teria sido pago inicialmente por Cohen com seus recursos pessoais para impedir que Clifford tornasse público um breve caso que teve com Trump em 2006.

– Ele me pediu para pagar para calar uma atriz de filmes adultos com quem ele teve um caso e para mentir para sua esposa a respeito, o que eu fiz – disse. Cohen mostrou a cópia de um cheque pessoal de US$ 35 mil assinado por Trump e datado após o presidente assumir o cargo. O pagamento teria sido uma parcela de um reembolso de US$ 130 mil que Trump devia a Cohen após o advogado ter realizado pagamentos ao advogado de Clifford.

Cohen também admitiu ter feito pagamentos a Karen McDougal, que posou para a Playboy, por um caso semelhante. Ambas as acusações podem violar leis sobre o financiamento de campanhas nos EUA e foram repetidamente negadas por Trump.

Trump buscou descreditar Cohen quando questionado sobre o testemunho de seu ex-advogado. “Ele mentiu muito”, disse durante entrevista em Hanói, no Vietnã, após sua reunião com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Para o presidente norte-americano, o testemunho de Cohen não fornece evidências de um conluio com a Rússia.

Apesar de Cohen ter dito a parlamentares não ter evidência direta de um conluio, apenas suspeitas, Trump insistiu que Cohen havia afirmado saber que não ocorreu um conluio. “Ele não mentiu a respeito de um tema. Ele disse que não houve conluio com a Rússia. Eu me pergunto o porquê de ele não ter mentido a respeito disso também, assim como ele mentiu sobre todo o resto.”

Em sua conta no Twitter, Trump disse acreditar que Cohen estava mentindo para reduzir seu tempo na cadeia.

O ex-advogado, que anteriormente se declarara culpado de ter mentido ao Congresso sobre os planos de Trump de construir um arranha-céu em Moscou, começará a cumprir uma pena de três anos de prisão em maio. No depoimento, Cohen disse que Trump o induziu a mentir sobre o projeto imobiliário.

Ele foi condenado por nove acusações, incluindo a de violar a lei sobre o financiamento de campanhas pela tentativa de silenciar mulheres que teriam tido casos com Trump, de que ele se declarou culpado.

Cohen é visto como uma testemunha vital por procuradores devido à sua proximidade com Trump durante episódios sob investigação e à sua relação de décadas com o presidente.

Trump disse não ter tido interesses em negócios na Rússia antes da eleição de 2016, mas, segundo Cohen, o presidente dos EUA “sabia e dirigia” negociações para construir uma propriedade em Moscou durante a campanha, planos que nunca se materializaram.

Cohen deve continuar seu testemunho ao Congresso nesta quinta-feira, desta vez de portas fechadas e diante do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes.

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