Militar bolsonarista se atrapalha em depoimento à CPI da Covid

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Publicado terça-feira, 10 de agosto de 2021 as 16:39, por: CdB

Helcio Almeida contou, ainda, que conheceu Cristiano Carvalho e Luiz Paulo Dominghetti, representantes da empresa, em reunião ocorrida no ministério da Saúde no dia 12 de março. E negou conhecer o reverendo Amilton Gomes de Paula, presidente da Senah.

Por Redação – de Brasília

O depoimento do tenente-coronel da reserva e presidente do Instituto Força Brasil (IFB), Helcio Bruno de Almeida, à CPI da Covid nesta terça-feira foi marcado por uma série de declarações sem sentido. Almeida afirmou que não teve qualquer relação com a empresa Davati, mas os fatos mostram exatamente o contrário.

Coronel Helcio
O coronel Helcio Almeida caiu em uma série de contradições, em seu depoimento aos senadores

Helcio Almeida contou, ainda, que conheceu Cristiano Carvalho e Luiz Paulo Dominghetti, representantes da empresa, em reunião ocorrida no ministério da Saúde no dia 12 de março. E negou conhecer o reverendo Amilton Gomes de Paula, presidente da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), entidade religiosa que intermediou as tratativas da Davati com o governo.

De acordo com o depoente, a agenda oficial do IFB seria para tratar da possibilidade de compra de vacinas pela iniciativa privada. No entanto, o projeto de lei que propôs a regulamentação da compra de imunizantes por empresas particulares só foi apresentado na Câmara dos Deputados no dia seguinte.

Milhões de doses

Munido de habeas corpus concedido pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), Helcio Bruno se negou a responder a maioria dos questionamentos feitos pelo senador Renan Calheiros, relator da Comissão. No início do seu depoimento, o militar leu uma apresentação inicial detalhando a sua participação nessa reunião.

“Informo que jamais participei de qualquer reunião ou encontro no qual teria sido oferecida ou solicitada vantagem indevida por quem quer que seja, e também informo que jamais estive presente em qualquer jantar com o Sr. Luiz Paulo Dominguetti, muito menos naquele que teria ocorrido em 25 de fevereiro, até porque, nesta data, eu sequer o conhecia”, declarou o depoente, em texto lido aos senadores.

 A Davati alegava ter à disposição, para pronta entrega, 400 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca. Em meio às negociações, Dominguetti acusou o ex-diretor de logística da Saúde Roberto Ferreira Dias de ter cobrado propina de US$ 1 por dose de vacina.

Provas

Apesar da negativa de Helcio Bruno, a CPI revelou uma foto em que o militar aparece à mesa na companhia do reverendo e de Dominguetti. Segundo o depoente, tratou-se de um almoço oferecido pelo presidente da Senah, após a reunião no ministério. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, ironizou a “aglomeração” causada durante o almoço. Além dos três citados, outros assessores também aparecem no registro desse encontro, todos sem máscara.

— Coronel, mas veja o seguinte: o senhor disse que não tinha nenhuma intimidade. Pela foto, tem intimidade bastante — disse Randolfe.

Ao que Helcio Almeida respondeu:

— Intimidade? Foi um almoço, convidado pra um almoço, está com fome, vai comer. Não tem intimidade nenhuma nisso — provocando risos no Plenário da CPI.

Assessores

Helcio não disse como conseguiu a reunião no ministério. Também estavam presentes o presidente da Beep Saúde e um representante do grupo BR MED Saúde Corporativa. As empresas igualmente estariam interessadas na negociação privada de vacinas.

Eles foram recebidos pelo secretário-executivo do ministério, coronel Élcio Franco, e seus assessores. A suspeita é de que estariam fazendo lobby junto ao governo para tentar alterar a legislação que versava sobre a tema.

Renan apontou que a reunião ocorreu no momento em que o governo se recusava a responder as ofertas feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela Pfizer e o Instituto Butantan. 

— Se tivéssemos comprado as vacinas na hora certa, teríamos evitado um número significativo de mortes. Mas o governo se recusava a negociar com empresas com filtros rígidos de compliance (controle interno). Preferindo negociar com esse tipo de lobista, vigarista, na improvisação de querer pedir propina na falta de controle — disparou Calheiros.

Negacionismo

Renan também destacou que o IFB mantem relação direta com a disseminação de notícias falsas contra medidas de isolamento, vacinas e o uso de máscaras. Inclusive o vice-presidente do instituto, Otávio Fakhoury, é investigado no inquérito das fake news no STF.

— Um presidente de instituto negacionista que vendia vacina. É uma contradição inacreditável — frisou o relator.

Almeida informou que a as postagens negacionistas do IFB em suas páginas nas redes sociais “não necessariamente” refletem a opinião do instituto. Ele disse que ainda não se vacinou, porque teve covid-19 recentemente.

— Não sou negacionista — rebateu, apesar das provas em contrário.

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