Mineápolis promete abolir polícia em reação a morte de George Floyd

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Publicado segunda-feira, 8 de junho de 2020 as 10:50, por: CdB

Manifestações varreram um país que emerge lentamente do isolamento do coronavírus nas duas semanas passadas desde que Floyd, um negro desarmado de 46 anos, morreu. Ele murmurou as palavras “não consigo respirar” várias vezes sob o joelho de um policial branco.

Por Redação, com Reuters – de Washington

Os membros do Conselho Municipal da cidade norte-americana de Mineápolis prometeram abolir a força policial depois que um dos agentes da corporação se ajoelhou sobre o pescoço de George Floyd, à medida que os maiores protestos pró-direitos civis em mais de 50 anos exigem uma transformação no sistema de justiça criminal do país.

Protesto contra de desigualdade racial
Protesto contra de desigualdade racial

Manifestações varreram um país que emerge lentamente do isolamento do coronavírus nas duas semanas passadas desde que Floyd, um negro desarmado de 46 anos, morreu. Ele murmurou as palavras “não consigo respirar” várias vezes sob o joelho de um policial branco.

Embora tenha havido episódios de violência nos primeiros dias, ultimamente os protestos foram majoritariamente pacíficos. Os atos aprofundaram a crise política enfrentada pelo presidente Donald Trump, que ameaçou enviar tropas às ruas diversas vezes.

Grandes multidões se reuniram nos Estados Unidos e na Europa para protestas. A atmosfera animada foi ofuscada na noite de domingo, quando um homem lançou um carro sobre uma passeata em Seattle e depois feriu a tiros um manifestante que o confrontou.

Mineápolis

– Tenho policiais na minha família, acredito na presença policial – disse Nikky Williams, veterana negra da Força Aérea que marchou em Washington no domingo. “Mas realmente acho que tem que haver uma reforma”.

A perspectiva de Mineápolis abolir sua força policial teria parecido impensável meras duas semanas atrás. Nove dos 13 membros do conselho municipal prometeram no domingo substituir o departamento de polícia por um modelo de segurança liderado pela comunidade, embora tenham dado poucos detalhes.

– Uma maioria do Conselho Municipal à prova de veto acabou de concordar publicamente que o Departamento de Polícia de Mineápolis não é reformável e que acabaremos com o sistema de policiamento atual – disse Alondra Cano, integrante do conselho, no Twitter.

Em Nova York, o prefeito, Bill de Blasio, disse aos repórteres que transferirá alguns fundos do vasto orçamento da polícia para serviços sociais e juvenis. Ele disse que a aplicação da lei relativa a vendedores ambulantes não ficará mais a cargo da polícia, acusada de usar os regulamentos para assediar minorias.

Nova York

Toques de recolher foram suspensos em Nova York e em outras cidades grandes, como Filadélfia e Chicago.

Perto da meia-noite, o presidente Trump usou o Twitter para atacar o chefe da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL), o esporte mais popular da nação, que, assinalando uma mudança cultural, fez coro com jogadores revoltados e adotou seu slogan “Vidas Negras Importam”.

Democratas

Parlamentares democratas dos Estados Unidos planejam apresentar nesta segunda-feira um pacote de leis abrangentes para combater a violência policial e a injustiça racial, depois de duas semanas de protestos em toda a nação desencadeados pela morte de George Floyd sob custódia da polícia de Mineápolis.

A proposta deve proibir as chaves de braço e a abordagem por critério racial, exigir que policiais de todo o país usem câmeras, sujeitar a polícia a comissões de análise civis e abolir a doutrina legal conhecida como imunidade qualificada, que protege a polícia de ações civis, de acordo com fontes do Congresso.

– É hora de a cultura policial de muitos departamentos mudar – disse Karen Bass, deputada e presidente do Caucus Parlamentar Negro, à CNN no domingo.

Ela acrescentou que espera que a onda de protestos essencialmente pacíficos vista nos EUA ao longo da última quinzena aumente a pressão para que os parlamentares ajam.

– Estamos em um momento verdadeiro em nosso país, o ardor que as pessoas estão mostrando – acrescentou Bass. “Isto assentará o fundamento do ímpeto para provocarmos a mudança que precisamos realizar”.

A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, e a senadora Kamala Harris, assim como Bass, devem debater o projeto de lei em uma coletiva de imprensa às 10h30 locais.

Não ficou claro se a proposta receberá apoio dos republicanos, que controlam o Senado norte-americano. Seu apoio e o do presidente republicano, Donald Trump, seria necessário para a medida se tornar lei.