Ministério lança campanha de combate ao assédio em festas juninas

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Publicado segunda-feira, 24 de junho de 2019 as 14:55, por: CdB

A agressão sexual é apenas uma das facetas da violência contra mulher, que pode assumir ainda outras quatro formas: a psicológica, a patrimonial, a moral e a física.

Por Redação, com ABr – de Brasília

O combate aos crimes de estupro, assédio e importunação sexuais durante as festas juninas tornou-se, este ano, um dos focos de atenção do governo federal. O tema motivou a criação da campanha Eu respeito as muié, lançada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, no sábado, em Goiânia.

O tema motivou a criação da campanha Eu respeito as muié, lançada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

Para disseminar a mensagem da campanha, a pasta está distribuindo vídeos, folders, camisetas e banners a movimentos sociais e secretarias estaduais e municipais de políticas para mulheres. Também está prevista uma ação de panfletagem ao público nas festas O Maior São João do Mundo e Arraiá do Cerrado, celebradas, respectivamente, em Campina Grande (PB) e Aparecida de Goiânia (GO). As atividades estão programada para os dias 5 e 7 julho.

Segundo a titular da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, Cristiane Britto, as orientações transmitidas no âmbito da campanha servem tanto para as mulheres como para os homens. “Todo o material produzido para o movimento busca aproximar homens e mulheres para a cultura do respeito. Trabalhamos por uma mudança comportamental e a campanha é uma das ações que vamos realizar no sentido de educar homens e mulheres”, afirmou.

Números apresentados em recente pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva ajudam a dimensionar o peso da violência sexual na vida das brasileiras. De acordo com o levantamento, 97% das mulheres consultadas declararam já terem sido vítimas de assédio em meios de transporte. Outras 71% afirmaram conhecer alguma mulher que já sofreu assédio em local público.

A agressão sexual

A agressão sexual é apenas uma das facetas da violência contra mulher, que pode assumir ainda outras quatro formas: a psicológica, a patrimonial, a moral e a física.

Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados no último dia 12, o índice de estupros deste ano variou pouco em relação ao ano passado. Em 2018, foram registrados, entre janeiro e fevereiro, 7.834 crimes, enquanto, no primeiro bimestre deste ano, o total foi de 7.284 ocorrências.

No material da campanha “Eu respeito as muié”, o ministério informa que a mulher vítima de violência pode denunciar a ocorrência através do Ligue 180, do governo federal.

A central de atendimento funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil e de mais 16 países (Argentina, Bélgica, Espanha, Estados Unidos, França, Guiana Francesa, Holanda, Inglaterra, Itália, Luxemburgo, Noruega, Paraguai, Portugal, Suíça, Uruguai e Venezuela).

Coletivo de mulheres

Com a chegada do inverno, um coletivo de mulheres chamado Meio Fio está oferecendo gratuitamente gorros para pessoas em situação de rua em São Paulo. O grupo, de arte têxtil urbana, se reúne todas as semanas para confeccionar as toucas, que são disponibilizadas em pontos estratégicos da cidade para que as pessoas possam simplesmente pegar uma e se aquecer.

– Uma vez por mês, realizamos um projeto ligado a organizações não governamentais, escolas e espaços de saúde de forma gratuita, reproduzindo ações realizadas em empresas ou espaços de cultura, como oficinas e instalações. Essa ideia corresponde à vertente de sustentabilidade social do coletivo também no aspecto de reutilização de fios e matéria prima – explica a integrante do Coletivo Meio Fio, Carol Stoppa.

Segundo ela, o projeto nasceu como uma variação desse tipo de proposta para os meses de junho e julho, quando o inverno na capital paulista é mais rigoroso. Junto desde 2015, o grupo de sete mulheres se encontra às terças-feiras, em um café no centro da cidade, e produz as peças com fios excedentes de outras ações do grupo. Os encontros são abertos e quem quiser pode participar.

– Nos encontros abertos, pra quem não sabe (tricotar), estamos dispostas a ensinar. Essa é a magia do fazer manual: passar os ensinamentos de um para o outro, trocar e promover encontros e grupos, além do ato de conseguir realizar a confecção de uma peça por inteiro. Todo esse processo inverte a lógica fabril e nos reconecta com o tempo – considera Carol. Ela explica que a escolha por toucas ocorreu pela facilidade e pelo tempo de feitura, além de poder ser realizada em diversas técnicas, como crochê, tricô ou tear de pregos.

Os gorros

Após confeccionados, os gorros são colocados em sete pontos na região central, Zona Oeste e em Santo André, no ABC paulista. As toucas são penduradas com uma placa em paredes, pontos de ônibus, árvores e postes. As madeiras são doação de marceneiros e a arte com a mensagem “Bateu aquele vento gelado? Troque o frio por uma touca! Pegue uma e leve com você” é da artista Amanda Favalli. Os parceiros trabalharam de forma solidária ao projeto.

– Uma coisa bacana que tem acontecido é a escolha dos lugares que as placas são colocadas. Elas estão, de forma inusitada, ligadas a espaços comerciais. Assim, esses comerciantes vigiam a placa e, mais do que isso, passam a conhecer e conversar com a vizinhança, promovendo laços de coletividade – frisa a integrante do coletivo.

Confira os pontos de retirada de gorros em São Paulo: Rua Doutor Alberto Seabra, 514, Vila Madalena; Praça Olavo Bilac, Campos Elíseos; Rua Fradique Coutinho, 678, Pinheiros; Rua Pamplona, 1743, Jardim Paulista; Rua Dom José de Barros, 152, República; Rua Pedro Inácio de Araújo, 201, Rio Pequeno;  Avenida Capuava 540, Vila Homero Thon, Santo André.

Os encontros abertos acontecem todas as terças-feiras, às 18h30, no Café Por um Punhado de Dólares (Rua Nestor Pestana, 115, Consolação). Mais informações sobre o coletivo podem ser acessadas no site ( www.coletivomeiofio.com).

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