Ministério da Saúde divulga números divergentes de casos e mortes da covid-19

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Publicado segunda-feira, 8 de junho de 2020 as 11:14, por: CdB

O Ministério da Saúde divulgou no domingo números divergentes de casos e de mortes da covid-19 no Brasil, aumentando as incertezas sobre os dados do país depois que o governo parou de informar os números totais de infecções confirmadas e de óbitos e passou a divulgar dados parciais tarde da noite.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo/Rio de Janeiro/Brasília

O Ministério da Saúde divulgou no domingo números divergentes de casos e de mortes da covid-19 no Brasil, aumentando as incertezas sobre os dados do país depois que o governo parou de informar os números totais de infecções confirmadas e de óbitos e passou a divulgar dados parciais tarde da noite.

Médico caminha por corredor de hospital em Manaus
Médico caminha por corredor de hospital em Manaus

Inicialmente, gráficos enviados pelo ministério a jornalistas apontou que o Brasil havia registrado 1.382 novas mortes por covid-19 nas últimas 24 horas e o total de óbitos causadas pela doença respiratória provocada pelo novo coronavírus havia chegado a 37.312.

De acordo com os gráficos, o número total de casos confirmados da doença havia chegado a 685.427, um acréscimo de 12.581 novos diagnósticos em 24 horas.

No entanto, às 21h50, o ministério divulgou números diferentes na plataforma online sobre os casos e mortes. Segundo o site, foram 18.912 casos e 525 mortes registradas em 24 horas, o que totalizaria 36.455 mortes e 691.758 casos.

Vítimas fatais

Desde sexta-feira o ministério não informa mais na plataforma online os números totais de infectados e de vítimas fatais, depois de também ter adiado a divulgação dos dados das 19h para as 22h. Segundo a pasta, o adiamento tem como objetivo conferir os dados enviados pelas secretarias estaduais.

Questionado por jornalistas sobre o novo horário na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro, que já minimizou a covid-19 chamando-a de “gripezinha”, respondeu: “Acabou matéria no Jornal Nacional”.

A decisão do governo de mudar a divulgação dos dados foi duramente criticada por especialistas e rebatida pelo secretários de Saúde dos Estados, que disseram, em nota, que o governo faz uma “tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela covid-19”, que não prosperará.

O Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), cujos dados alimentam as estatísticas nacionais, criou uma plataforma própria com dados após a mudança na divulgação por parte do governo federal.

De acordo com o Painel Conass, o Brasil registrou até o fim da tarde de domingo 680.456 casos de covid-19 e 36.151 mortes provocadas pela doença.

Partidos de oposição entraram com ação no STF para que governo divulgue dados detalhados da covid-19.

Wizard diz que não atuará mais na Saúde

O empresário Carlos Wizard disse em nota no domingo que deixará de atuar como conselheiro do Ministério da Saúde e que não assumirá a Secretaria de Ciência e Tecnologia da pasta, após ser alvo de críticas por declarar que o governo recontaria os mortos pela covid-19 pois, disse ele sem apresentar provas, os dados de gestores locais eram “fantasiosos”.

Na nota, Wizard diz que recusou o convite do ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, para ocupar um cargo na pasta para se dedicar a trabalhos sociais em Roraima e fez um pedido de desculpas.

– Peço desculpas por qualquer ato ou declaração de minha autoria que tenha sido interpretada como desrespeito aos familiares das vítimas da covid-19 ou profissionais de saúde que assumiram a nobre missão de salvar vidas – afirmou.

Anteriormente, ao diário conservador carioca O Globo, Wizard havia dito que o governo faria uma recontagem dos números, pois, segundo ele, gestores estaduais e municipais de saúde inflavam o número de mortes pela covid-19, que já matou quase 36 mil no Brasil, para obterem uma fatia maior de orçamento.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) rebateu as declarações do empresário, afirmando que elas revelam ignorância sobre o tema e desrespeito aos familiares dos que morreram por causa da covid-19, e especialistas médicos apontaram que qualquer recontagem dos mortos apontaria para um número maior, não menor, de vítimas fatais da doença.

As declarações do empresário, dono ou sócio de marcas como Topper, Rainha e Mundo Verde, entre outras, e das franquias no Brasil das redes de fast food Taco Bell, Pizza Hut e KFC, vieram em um momento em que o governo do presidente Jair Bolsonaro passou a divulgar o balanço diário da pandemia no país às 22h e sem informar o número total de casos confirmados e mortos pela doença no país.

Indagado na sexta-feira sobre o atraso na divulgação, que antes acontecia entre 16h e 19h, Bolsonaro disse: “Acabou matéria no Jornal Nacional”, em referência ao telejornal da TV Globo, transmitido em horário nobre e o de maior audiência do país.

A mudança na divulgação

A mudança na divulgação dos números da pandemia, apenas com a informação sobre casos, mortes e recuperados nas últimas 24 horas, foi criticada por especialistas e contestada junto ao Supremo Tribunal Federal por partidos de oposição, que pediram que a corte obrigue o governo a informar dados detalhados da pandemia diariamente até às 19h30.

O Ministério Público Federal também abriu procedimento extrajudicial e pediu explicações ao Ministério da Saúde, assim como cópia de documentos que levaram a essa decisão.