Ministro francês da Economia quer participação internacional no Iraque

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Publicado segunda-feira, 15 de dezembro de 2003 as 04:12, por: CdB

O ministro francês da Economia e Finanças, Francis Mer, disse que ‘todos’ os Estados devem participar da reconstrução do Iraque, ao mesmo tempo em que qualificou de ‘excelente notícia’ para o país árabe a detenção de Saddam Hussein.

– Há muitos esforços a fazer. A coletividade internacional deve participar, todos os Estados – afirmou o ministro em um programa da rede de televisão ‘France 3’ e em declarações à emissora France Info. Segundo ele, é preciso esperar que haja no Iraque ‘uma estrutura jurídica governamental constituída normalmente e internacionalmente reconhecida’.

– Nesse contexto, todo o mundo deve participar – acrescentou o ministro, que considera ‘inimaginável’ que os Estados Unidos possam se encarregar sozinhos da reconstrução do país.

Na última semana, os EUA anunciaram a exclusão dos países que se opuseram à guerra, como França, Alemanha e Rússia, dos contratos para a reconstrução iraquiana financiados com fundos americanos.

– Os contratos são concedidos atualmente pelos americanos e, se decidirem que estão reservados a empresas dos Estados Unidos, ninguém pode fazer nada, mas é inimaginável que isso possa se aplicar à ação de reconstrução do Iraque, pois superará amplamente os meios dos Estados Unidos – criticou Mer.

– Todo o mundo terá de colocar mãos à obra e imagino que, desse momento, cada um participará – insistiu.

O ministro lembrou ainda que a França preside o Clube de Paris, integrado pelos países credores oficiais bilaterais, que examina o tratamento da dívida dos devedores, e que o enviado especial dos EUA para a reestruturação da dívida iraquiana, James Baker, estará esta semana em Paris.

– Tudo isso deve ser feito de forma responsável, entre pessoas de boa vontade – declarou, alegando que a magnitude dos problemas iraquianos supõe que ‘todo o mundo participe’.

Na sua avaliação, a captura de Saddam Hussein deve ‘acelerar a construção de um Estado democrático, reconhecido e, nesse momento, tudo se ativa’, incluindo ‘o tratamento da dívida e a reconstrução com todos os países ocidentais envolvidos’.

O ministro iraquiano interino dos Assuntos Exteriores, Hochyar Zebari, defendeu que os países contrários à invasão também devem ter a chance de participar da reconstrução do país.
 
– Cada um tem sua parte no futuro do Iraque – frisou Zebari, numa conversa com os jornalistas ao chegar a Paris como membro da delegação do Conselho de Governo interino iraquiano.

– Há uma oportunidade para todos os países, incluindo a França, de participarem da reconstrução – ressaltou.

A delegação iraquiana, que chegou a Paris procedente de Madri, se reúne com o presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler francês, Dominique de Villepin.

Villepin disse que a França está disposta a ocupar ‘todo seu lugar’ na reconstrução do Iraque e dirá à delegação que quer ‘ir adiante, seja na ajuda humanitária, na formação da polícia ou na cooperação em outros setores essenciais da economia iraquiana’