Ministro italiano diz que ‘famílias gays não existem’

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Publicado sábado, 2 de junho de 2018 as 17:06, por: CdB

Fontana também disse que, além de suas próprias crenças, a lei italiana não reconhece famílias gays ou nada do tipo.

 

Por Redação, com Ansa – de Roma

 

Mal chegou ao cargo, o novo ministro da Família e da Deficiência da Itália, Lorenzo Fontana, deu uma declaração polêmica. Para ele, as “famílias gays não existem”. Isso colou um alvo no político, atingido por questionamentos por parte de ativistas e ONGs.

Jesse Fergunson e Stonestreet, astros de Modern Family. Eles representam uma das muitas famílias gays do mundo
Jesse Fergunson e Stonestreet, astros de Modern Family. Eles representam uma das muitas famílias gays do mundo

— Sou católico, não escondo isso. E por esse motivo acredito e digo que as famílias são as naturais, onde uma criança deve ter um papai e uma mamãe — afirmou o ministro, de 38 anos, em entrevista neste sábado ao jornal italiano Corriere della Sera.

Modelo cultural

Fontana também disse que, além de suas próprias crenças, a lei italiana não reconhece essa formação familiar.

— Uma lei com esse propósito não existe. Devemos decodificar o que está acontecendo (nos cartórios italianos que têm registrado filhos de pais homossexuais) — criticou.

O ministro jurou que nunca falou nada contrário ou agressivo aos gays; mas ressaltou acreditar que se vive em “um modelo cultural relativista”. Nele, “não existem as comunidades, mas sim, as famílias, que são a primeira e mais importante comunidade da nossa sociedade”.

Fontana, no entanto, admitiu que isso não está na sua pauta como ministro no momento e que pretende se focar a “convencer as mulheres a não abortarem”.

Arco-íris

As palavras de Fontana, portanto, logo despertaram reações no ambiente político e social na Itália. O ministro do Interior e vice-premier, Matteo Salvini, do partido nacionalista Liga Norte, tentou amenizar o caso, mas tomou distância de Fontana. “Fontana é livre para ter suas ideias. Porém, elas não são prioridade e não estão no nosso contrato de governo”, comentou.

— União civil e aborto não são leis em discussão. Alguma vez dissemos que mudaríamos a lei do aborto? Não — assegurou.

Por sua vez, as entidades em defesa dos direitos da comunidade LGBT reagiram.

— Estou chocada em ver um ministro da Família assim distante da realidade em que vive — criticou Marilena Grassadonia, presidente da Associação “Famílias Arco-Íris”.

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