Ministro Paulo Guedes atua de bombeiro na crise entre Maia e Bolsonaro

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Publicado quinta-feira, 28 de março de 2019 as 14:52, por: CdB

Após encontro entre Guedes e Rodrigo Maia, Bolsonaro diz, em pleno outono, que crise não passou de uma ‘chuva de verão’.

 

Por Redação – de Brasília

 

Presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse nesta quinta-feira, após almoçar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que seu foco é ajudar a fazer as reformas no Brasil, entre elas a da Previdência, ao passo que o ministro assegurou que o “barulho” gerado por atritos políticos recentes será reduzido.

Guedes conversou com Rodrigo Maia, na tentativa de colocar panos quentes na crise com Bolsonaro
Guedes conversou com Rodrigo Maia, na tentativa de colocar panos quentes na crise com Bolsonaro

Maia e Guedes falaram com a imprensa após almoço com líderes partidários e trocaram elogios mútuos. A cena ocorre um dia após o novo capítulo da troca de farpas entre Maia e o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Ainda na véspera, Guedes afirmou, em audiência no Senado, que não se apega ao cargo e tem uma vida fora do ministério. O recado foi interpretado por agentes econômicos como negativos para o futuro da reforma da Previdência.

Bolsonaro também tentou, nesta manhã, jogar água em vez de gasolina, no incêndio político que consome o seu curto mandato. Ele disse, a jornalistas, que a crise é página virada e que da sua parte não há qualquer problema com o parlamentar. Em pleno outono, Bolsonaro comparou a crise política mais grave de seu governo a “uma chuva de verão”.

— Agora, o céu está lindo. O Brasil está acima de nós. Da minha parte não tem problema nenhum. Vamos em frente. Página virada — disse Bolsonaro a jornalistas ao fim de uma cerimônia em que recebeu a Ordem do Mérito Judiciário Militar.

‘Abalado’

Bolsonaro afirmou também que conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e que o governo continua trabalhando para aprovar a reforma da Previdência.

— A reforma não é só para mim, para o meu governo, é para o Brasil — acredita.

Na quarta-feira, depois de uma tentativa inicial de trégua, Bolsonaro voltou a dizer que Maia estava “abalado” por questões familiares, referindo-se à prisão do ex-ministro Moreira Franco, que é padrasto da mulher de Maia. O presidente da Câmara respondeu que Bolsonaro estava “brincando de ser presidente” e os ânimos se exaltaram novamente.

Ao final do dia, depois de o dólar ter se aproximado de R$ 4, o presidente da Câmara acenou com uma nova trégua. Em entrevista, disse que os dois, ele e Bolsonaro, tinham que parar com os atritos, e que para ele o assunto não existia mais.

Ditadura

Ainda aos jornalistas, Bolsonaro defendeu, mais uma vez, sua decisão de incentivar a comemoração do golpe militar de 1964 nos quartéis, mas negou que seja uma celebração.

— Não foi para comemorar, foi para rever, ver o que está errado, o que está certo, e usar isso para o bem do Brasil no futuro — amenizou o presidente.

Bolsonaro comparou com um casamento em que os esposos brigam, decidem se perdoar e não tocar mais no assunto que causou o desentendimento.

— É para não voltar naquele assunto do passado que houve aquele mal entendido entre nós. A lei da anistia está aí, valeu para todos. Vamos respeitar para todo mundo e não se toca mais no assunto, ponto final — deseja.

Crise na Educação

Bolsonaro também negou que tenha exonerado o ministro da Educação, Ricardo Vélez, dizendo que jamais demitiria alguém por telefone. Reconheceu, no entanto, que há problemas nesse ministério e que irá conversar com o ministro para acertar a situação.

— Tem problemas, ele é novo no assunto, não tem o tato político. Vou conversar com ele e tomar as decisões que tiver que tomar. Não vou ameaçar nenhum ministro publicamente — disse Bolsonaro, que se recusou a explicar se o ministro poderia ser realmente demitido.

Desde o primeiro mês de governo, o MEC vive um clima de disputas internas que já levou à saída de pelo menos 13 pessoas. Uma das mais recentes baixas foi a do presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep), Marcus Vinícius Rodrigues. Aos jornalistas, depois de deixar o cargo, Rodrigues disse que o ministério “vive uma incompetência geral muito grande”.

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