Ministro do Turismo é citado em prática ilegal de campanha

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Publicado segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019 as 16:14, por: CdB

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), deputado federal mais votado em Minas, promoveu um esquema de candidaturas forjadas no Estado, segundo denúncia.

 

Por Redação – de Brasília

 

O PSL mineiro foi acusado corrupção nas últimas eleições legislativas. Segundo denúncia do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), deputado federal mais votado em Minas, promoveu um esquema de candidaturas forjadas no Estado, para direcionar verbas públicas de campanha a empresas cúmplices, ligadas ao seu gabinete na Câmara.

Ministro do Turismo, o deputado Marcelo Antonio (PSL) foi o mais votado em Minas Gerais
Ministro do Turismo, o deputado Marcelo Antonio (PSL) foi o mais votado em Minas Gerais

“Após indicação do PSL de Minas, presidido à época pelo próprio Álvaro Antônio, o comando nacional do partido do presidente Jair Bolsonaro repassou R$ 279 mil a quatro candidatas. O valor representa o percentual mínimo exigido pela Justiça Eleitoral (30%) para destinação do fundo eleitoral a mulheres candidatas”, afirma o jornal.

E acrescenta: “apesar de figurar entre os 20 candidatos do PSL no país que mais receberam dinheiro público, essas quatro mulheres tiveram desempenho insignificante. Juntas, receberam pouco mais de 2.000 votos, em um indicativo de candidaturas de fachada, em que há simulação de alguns atos reais de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos”.

Recursos públicos

A reportagem apresentou, ainda, comprovantes para o destino do dinheiro: “A Folha visitou as cidades de Ipatinga, Governador Valadares, Timóteo e Coronel Fabriciano, na região do Vale do Rio Doce, leste de Minas Gerais, e investigou as informações prestadas por elas à Justiça Eleitoral. Dos R$ 279 mil repassados pelo PSL, ao menos R$ 85 mil foram parar oficialmente na conta de quatro empresas que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje ministro de Bolsonaro”.

“Esse é o caso, por exemplo, de Lilian Bernardino, candidata a deputada estadual em Governador Valadares. Ela é próxima a Haissander Souza de Paula, que foi assessor do gabinete parlamentar de Álvaro Antônio de dezembro de 2017 ao início deste ano, quando o deputado assumiu o Ministério do Turismo. Haissander hoje é secretário parlamentar do suplente de Álvaro Antônio na Câmara, Gustavo Mitre, do PHS.

“Lilian recebeu da direção do PSL R$ 65 mil de recursos públicos, declarou ter gasto todo esse valor e obteve apenas 196 votos. No mesmo dia ou poucos dias depois de ter recebido as verbas, ela repassou boa parte para quatro empresas que têm ligações com o ministro do Turismo”, acrescenta.

Caso grave

Vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão afirmou, nesta segunda-feira, que deve ser investigada a denúncia de que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, patrocinou esquema de candidaturas forjadas que direcionou verba pública para empresas ligadas ao seu gabinete parlamentar.

Segundo o militar, qualquer acusação deve ser apurada. Questionado, ele ressaltou que se os órgãos de investigação confirmarem a existência da irregularidade trata-se de uma denúncia grave.

— Qualquer denúncia tem de ser apurada, a Justiça que faça o seu papel”, disse. “Se for verdadeira, é grave. Temos de ver até onde há verdade nisso aí — concluiu.

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