Ex-modelo acusa Trump de agressão sexual em 1997

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Publicado quinta-feira, 17 de setembro de 2020 as 14:15, por: CdB

Segundo Amy Dorris, magnata a agrediu sexualmente no camarote VIP dele no US Open, em Nova York. Advogados do presidente negam e dizem que acusação tem motivações políticas.

Por Redação, com DW – de Washington

A ex-modelo Amy Dorris acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de agressão sexual em 1997, durante o torneio de tênis US Open, realizado em Nova York, em entrevista ao jornal britânico The Guardian publicada nesta quinta-feira.

Advogados de Trump disseram que, se a acusação fosse verdadeira, deveria haver várias testemunhas do assédio
Advogados de Trump disseram que, se a acusação fosse verdadeira, deveria haver várias testemunhas do assédio

Dorris relatou que Trump avançou sobre ela do lado de fora do banheiro do camarote VIP dele no torneio, em 5 de setembro de 1997. Ela tinha então 24 anos. A ex-modelo diz que Trump a agarrou, pegou em seus seios e nádegas e forçou a língua para dentro da boca dela.

Por meio de seus advogados, Trump negou de forma enfática que tenha atacado Dorris, segundo o jornal.

Dorris mostrou ao jornal britânico fotos dela ao lado do magnata, que tinha então 51 anos e era casado com sua segunda esposa, Marla Maples.

Um amigo dela e a mãe dela confirmaram o relato. Ambos disseram que Dorris lhes telefonou logo depois do incidente.

“Eu me senti violada”

Dorris tem hoje 48 anos e é mãe de duas meninas gêmeas. Ela relatou ao jornal que considerou vir a público em 2016, quando outras mulheres fizeram acusações semelhantes ao então candidato republicano, mas que decidiu não falar por causa de sua família.

Dorris contou que passou vários dias com Trump em setembro de 1997 porque o então namorado dela, Jason Binn, era amigo do magnata. Dorris vivia em Boca Raton, na Flórida, e viajou para Nova York com o namorado.

Ela relatou que foi atacada por Trump no camarote VIP dele, quando deixou o banheiro. Ela disse que falou “não, por favor pare” para Trump, mas que ele “não se importou”.

A ex-modelo afirmou que ficou em estado de choque. “Eu me senti violada, claro.” Mesmo assim, ela retornou ao seu lugar e tentou conversar com as outras pessoas e se divertir. “Não sei, me sentia pressionada a ser assim.”

Ela afirmou não se lembrar se relatou toda a história para Binn, mas disse ter pedido ao namorado que dissesse a Trump que a deixasse em paz.

No dia seguinte, 6 de setembro, a ex-modelo e o namorado voltaram ao camarote de Trump no US Open. No dia 8, Dorris disse que participou do funeral de Gianni Versace ao lado de Trump e Binn, também em Nova York.

Advogados falam em motivações políticas

Segundo os advogados de Trump, Binn não se lembra de a então namorada lhe ter contado sobre algo inapropriado que teria acontecido nos dias em que estiveram com Trump em Nova York.

Os advogados de Trump disseram ainda que, se a acusação fosse verdadeira, deveria haver várias testemunhas do assédio em frente ao banheiro.

Eles ainda disseram ser inacreditável que a ex-modelo continuasse nas proximidades de Trump nos dias seguintes ao suposto assédio.

Questionada pelo jornal, ela respondeu: “Eu havia ido da Flórida para lá e estava com Jason. Eu não tinha dinheiro nem para onde ir. Fomos de um evento para o outro, e era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.”

Ela afirmou que só recentemente conseguiu entender direito o que aconteceu. “As pessoas passam anos ao lado de pessoas que abusaram delas, é isso que ocorre quando algo traumático acontece, você congela.”

Os advogados do presidente também argumentaram que Dorris nunca procurou um advogado nem contatou Trump a respeito e que o momento da acusação, perto da eleição presidencial de novembro, sugere motivações políticas.