O momento é de crise nacional

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Publicado sexta-feira, 25 de maio de 2018 as 17:48, por: CdB
Atualizado em 24/09/18 20:06

Tirando exemplos como Dória e Malafaia, com o primeiro chamando os caminhoneiros de “preguiçosos” e o segundo defendendo a sua prisão; não vi nenhum popular criticando os caminhoneiros.

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

 

A paralisação e o bloqueio das estradas pelos caminhoneiros, protestando contra a política do governo de alta dos combustíveis; gerou uma crise de desabastecimento. Abriu a panela de pressão e desaguou num estuário de uma profunda crise nacional; uma crise do próprio golpe.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil
Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil

Tirando exemplos como Dória e Malafaia, com o primeiro chamando os caminhoneiros de “preguiçosos” e o segundo defendendo a sua prisão; não vi nenhum popular criticando os caminhoneiros, embora esteja sofrendo com o desabastecimento.

As críticas de populares, inclusive dos motoristas das vans paralisadas em São Paulo, eram todas contra o alto preço dos combustíveis, do diesel, da gasolina e do gás de cozinha. Eram contra Temer e não contra Dilma, como tentam induzir as “leitões” da Globo.

Sistema golpista

Nesse momento de crise nacional, estão pulando da panela de pressão o desemprego, fruto da falta de investimentos públicos; o elevado endividamento fiscal, consequência da queda da receita e de incessantes perdões de dívida pública; a volta da fome e da exclusão social; o arrocho dos servidores públicos e a superexploração dos trabalhadores assalariados permitida pela famigerada reforma trabalhista; a política de preços dos combustíveis gerada pelo desmonte da Petrobras e das refinarias e pela entrega do pré-sal ao capital estrangeiro.

Tudo isso e muito mais está vindo a tona nessa crise nacional induzida pelo movimento dos caminhoneiros. Qual foi a resposta do governo golpista? Enrolação na redução dos preços dos combustíveis e repressão militar contra os caminhoneiros.

O sistema golpista, com a Globo à frente, já se prepara para garantir a “eleição” indireta pelo Congresso Nacional, de seu presidente, na possibilidade da “saída” de Temer. Contudo, todas as soluções golpistas para a crise, sem exceção; vão apenas gerar mais arrocho econômico da população. Mais repressão contra quem luta e mais afastamento do povo da soberania do voto direto.

Coxinhas

Com muito custo Temer e os golpista podem até colocar a tampa da panela de pressão de volta; mas não vai conseguir diminuir o aumento contínuo da pressão; da insatisfação do povo, para quem não cola mais a desculpa esfarrapada que a culpa é de Dilma e do PT.

O PT e o campo democrático têm de demonstrar competência politica para aprofundar a crise do governo golpista e trazerem os setores insatisfeitos para a defesa de uma saída democrática da crise. Passou o momento de ficar tripudiando coxinha arrependido.

Vejo estes como provas concretas do esvaziamento da base golpista e do aumento das possibilidades da luta pela volta do Estado democrático de direito. No final desse túnel estará, inevitavelmente; a liberdade de Lula, como resultado lógico da derrota do estado de exceção; ou da voz preponderante que ainda tem hoje.

Val Carvalho é articulista do jornal Correio do Brasil.

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