Moro recebe novo ataque frontal. Agora, do vice-presidente da República

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Publicado sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020 as 17:27, por: CdB

Possível candidato à reeleição, em 2022, o mandatário neofascista estuda formas de esvaziar o ex-juiz Moro desde que se consolidou a avaliação positiva do magistrado que assinou a sentença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nas pesquisas de opinião, Moro está mais bem colocado do que Bolsonaro.

 

Por Redação – de Brasília

O distanciamento entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Justiça e Segurança pública, Sérgio Moro, ganhou nesta sexta-feira um novo acelerador. O general Hamilton Mourão, que aparece revigorado na relação com o companheiro de chapa, na eleição presidencial passada, sai em defesa de Bolsonaro e afirma que Moro é uma peça descartável no jogo político, a qualquer momento.

Bolsonaro frita o ministro Sérgio Moro em fogo baixo, à espera que ele peça demissão do cargo
Bolsonaro frita o ministro Sérgio Moro em fogo baixo, à espera que ele peça demissão do cargo

Segundo o vice-presidente, Moro pode ser demitido no momento em que o presidente quiser:

— Se por acaso ele tiver que demiti-lo, ele vai demitir e acabou. O presidente não é refém de ninguém — disse Mourão, a jornalistas.

O general negou que seu superior imediato seja refém da popularidade de Sergio Moro:

— Em absoluto.

E acrescentou:

— O presidente tem plena consciência de que o ministro Sergio Moro trouxe para o nosso governo uma capacidade muito grande à área da Justiça e da Segurança Pública. Ele (Moro) é uma figura popular, o presidente reconhece, mas não é refém do ministro. Se por acaso ele tiver que demiti-lo, ele vai demitir e acabou. O presidente não é refém de ninguém.

Divisão

Possível candidato à reeleição, em 2022, o mandatário neofascista estuda formas de esvaziar o ex-juiz Moro desde que se consolidou a avaliação positiva do magistrado que assinou a sentença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nas pesquisas de opinião, Moro está mais bem colocado do que Bolsonaro.

Na semana passada, Bolsonaro chegou a fustigar o ministro com a ameaça de dividir a pasta, deixando-o apenas com o segmento da Justiça. O presidente confirmou que existe essa possibilidade, conforme já havia adiantado o Correio do Brasil, mas deixou claro que Moro será contra a mudança.

— Isso tem que ser estudado. Estudado com o Moro. Lógico que o Moro deve ser contra, mas estudado com os demais ministros. O Rodrigo Maia é favorável à criação da Segurança. Acredito que a Comissão de Segurança Pública (da Câmara) também seja favorável. Temos que ver como se comporta esse setor da sociedade para melhor decidir — preparou o terreno.

Diante da repercussão e da ameaça de Moro deixar o governo, caso perdesse metade do ministério, Bolsonaro voltou atrás e disse que ele permaneceria com a Segurança Pública. A tensão, no entanto, permanece no ar e, com a entrevista de Mourão, nesta sexta-feira, a temperatura volta a subir.

Aborrecido

O humor do ministro não poderia estar mais afetado. Ao ingressar no governo, Moro queria, inclusive, mais do que reunificar os dois ministérios. Ele tentou levar para sua pasta o Ministério da Transparência, que incluía a Corregedoria-Geral da União, e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) — o que não conseguiu. Desde então, vem perdendo conteúdo, durante a fritura em fogo baixo.

No governo Temer, o Ministério da Justiça tinha apenas as secretarias de Justiça, do Consumidor, Antidrogas e a Fundação Nacional do Índio (Funai). Dos departamentos vistos por Moro como essenciais no combate à corrupção, o MJ contava apenas com o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), que faz a intermediação de investigações no âmbito internacional, mas não tem poder de polícia.

Ministro à época, Torquato Jardim terminou relegado ao ostracismo, enquanto Raul Jungmann, que assumiu a Segurança Pública, se transformou em figura central do governo. Uma reestruturação do tipo tiraria de Moro todo o poder de influencia no combate à corrupção, foco do ministro ao aceitar o cargo, já que não poderia contar com a Polícia Federal, por exemplo, e nem caberia a ele negociar medidas anticrime no Congresso.

Também tiraria de Moro a área que o ministro mais tem usado para enumerar seus feitos. Sucessos no combate ao tráfico de drogas e armas e a redução no índice de homicídios são hoje seus principais temas, inclusive nas redes sociais. Por sua capacidade destrutiva da imagem de Moro, junto à opinião pública, a divisão da pasta ainda se mantém sobre a mesa do presidente.

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