Moro pede abertura de inquérito sobre citação do nome de Bolsonaro

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 30 de outubro de 2019 as 14:01, por: CdB

Para Moro, a inconsistência sugere “possível equívoco na investigação conduzida no Rio de Janeiro ou eventual tentativa de envolvimento indevido do nome do presidente da República no crime em questão”.

Por Redação, com Reuters e Agências de Notícias – de Brasília

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, enviou na manhã desta quarta-feira ofício ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que ele abra um inquérito a fim de investigar a citação feita por um porteiro ao nome do presidente Jair Bolsonaro em apuração sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco.

No ofício a Aras, Moro mencionou o fato de que a própria reportagem aponta o registro de presença de Bolsonaro na Câmara
No ofício a Aras, Moro mencionou o fato de que a própria reportagem aponta o registro de presença de Bolsonaro na Câmara

No ofício a Aras, Moro mencionou o fato de que a própria reportagem aponta o registro de presença de Bolsonaro na Câmara. Para o ministro, a inconsistência sugere “possível equívoco na investigação conduzida no Rio de Janeiro ou eventual tentativa de envolvimento indevido do nome do presidente da República no crime em questão”.

Segundo Moro, isso pode configurar crimes de obstrução à Justiça, falso testemunho ou denunciação caluniosa, neste último caso tendo por vítima o presidente da República, o que determina a competência da Justiça Federal e, por conseguinte, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

“É ainda possível que o depoente em questão tenha simplesmente se equivocado ou sido utilizado inconscientemente por terceiros para essas finalidades”, disse Moro.

“Oportuno lembrar que, na investigação do crime de assassinato em questão, foi constatado, anteriormente, espúria obstrução da Justiça, com a introdução de testemunha que fraudulentamente apontou falsos suspeitos para o crime. A tentativa de obstrução da Justiça só foi contornada com a atuação independente da Polícia Federal e que contribuiu para identificação dos reais suspeitos pela prática do crime em questão”, completou Moto.

A assessoria de imprensa do ministro da Justiça não soube informar se a requisição feita por Moro a Aras ocorreu após um contato do presidente. Moro está no Equador.

Reportagem

Segundo o noticiário, o porteiro do condomínio no Rio de Janeiro onde mora o presidente afirmou, em depoimento à polícia, que um dos principais suspeitos de matar Marielle, o ex-policial Élcio Queiroz, buscou a casa de Bolsonaro na mesma data do crime, em 14 de março de 2018.

Como resposta, Bolsonaro fez uma transmissão de vídeo ao vivo em uma rede social de madrugada na Arábia Saudita, onde está em visita oficial.

– Eu tenho registrado no painel eletrônica da Câmara 17h41, ou seja, 31 minutos depois da entrada desse elemento no condomínio, e tenho também 19h36, e tenho também registrado no dia anterior e no dia posterior as minhas digitais no painel de votação – disse presidente visivelmente alterado.

– O que cheira isso aqui, não quero bater o martelo, o que parece: ou o porteiro mentiu, ou induziram o porteiro a cometer um falso testemunho ou escreveram algo no inquérito que o porteiro não leu e assinou embaixo em confiança ao delegado ou àquele que foi ouvi-lo na portaria – completou.

– Eu quero falar sobre esse processo. Vou chegar na madrugada de quinta-feita, a partir dessa madrugada estou à disposição de vocês. Senhor delegado, quero te ouvir, olhar nos seus olhos, e que o senhor faça perguntas para mim, quero te responder – garantiu.

“Patifaria”

– Parem de trair o brasil. Vocês não estão traindo a mim, estão traindo o Brasil – disse, avisando à Globo que acabou a “mamata”, lembrando o fim do aporte de “bilhões” em publicidade estatal.

– Temos uma conversa em 2022. Tenho de estar morto até lá. Porque o processo de renovação da concessão não vai ser perseguição. Nem para vocês, nem para TV, nem rádio nenhuma. O processo tem de estar enxuto, tem de estar legal. Não vai ter jeitinho para vocês nem para ninguém. É essa a preocupação de vocês? Continuem fazendo essa patifaria contra o presidente Jair Bolsonaro e sua família. Continua, TV Globo. Vocês já perderam a credibilidade no Brasil – afirmou o presidente.

No dia 14 de março, Élcio se reuniu com Ronnie Lessa, outro acusado de cometer o assassinato, no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, onde Lessa também têm casa.

De acordo com a reportagem, Élcio chegou à portaria do condomínio, solicitou entrada no local e foi autorizado por alguém na casa de Bolsonaro, então deputado federal. O livro de visitantes mostra que, às 17h10, o ex-PM informou que iria à casa 58, mas acabou se dirigindo para a propriedade de número 66, que é de Lessa.

Ainda segundo um portal conservador carioca, no registro geral de imóveis, a casa 58 está em nome de Jair Messias Bolsonaro. O presidente também é proprietário do imóvel de número 36 naquele condomínio, onde mora um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Ao observar pelas câmeras do condomínio que o visitante não se dirigia ao número que informara, o porteiro teria ligado novamente à casa 58. Segundo ele, a pessoa que atendeu disse que sabia para onde Élcio estava indo.

Ainda em depoimento à polícia, o porteiro teria dito que, nas duas vezes em que ligou para a casa 58, identificou a voz no interfone como sendo a do “Seu Jair”. No entanto, os registros de presença da Câmara dos Deputados constam que Bolsonaro estava em Brasília na data.

A investigação está recuperando os arquivos de áudio da guarita do condomínio para saber com quem o porteiro conversou e quem estava na casa 58, afirmou o telejornal. Questionado pelo noticiário televisivo, o advogado do presidente, Frederick Wassef, afirmou que o depoimento “é uma mentira, uma fraude, é uma farsa”.

Carlos Bolsonaro

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC) saiu em defesa do pai e tentou afastar suspeitas de envolvimento de Jair Bolsonaro no assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) nesta quarta-feira. Em um vídeos, Carlos mostrou uma ligação feita da portaria para a casa 58, onde mora o Bolsoanro, no dia 14 de março de 2018.

“A Globo, sabendo dos fatos e podendo esclarecê-los, preferiu levantar suspeitas contra o Presidente e alimentar narrativas criminosas. Um simples acesso aos registros internos do Condomínio mostra que no dia 14/03/2018 NENHUMA solicitação de entrada foi feita para a casa 58”, escreveu o 03, em uma rede social.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *