Moro recua de críticas a Kassio Marques, indicado oficialmente por Bolsonaro ao STF

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Publicado sexta-feira, 2 de outubro de 2020 as 18:12, por: CdB

A indicação de Nunes Marques, agora, será submetida ao Senado. Para ser nomeado, ele precisa ter o nome aprovado em Plenário, por maioria absoluta. Marques tem perfil discreto. Seus pares consideram que ele tem densidade técnica.

Por Redação – de Brasília

Agora é oficial. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez publicar, no Diário Oficial da União, a iniciativa de indicar a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) o desembargador do Tribunal Regional Federal da Primeira Região Kassio Nunes Marques. A indicação tinha sido adiantada pelo mandatário na véspera, pelas redes sociais.

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O ex-juiz Sérgio Moro preferiu apagar o comentário que fez sobre Nunes Marques, nas redes sociais

A indicação de Nunes Marques, agora, será submetida ao Senado. Para ser nomeado, ele precisa ter o nome aprovado em Plenário, por maioria absoluta dos senadores. Marques tem perfil discreto. Seus pares consideram que ele tem densidade técnica e tem mostrado coragem em decisões firmes, que se destacam pela fundamentação jurídica sólida.

O magistrado se destacou pontos como a produtividade, proferindo mais de 600 decisões por dia; e a defesa da implantação de novas técnicas de gestão e informatização, segundo o Anuário da Justiça Federal de 2019. Caso Marques seja confirmado, em sabatina no Senado, será o primeiro integrante da história republicana do STF graduado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), e o sexto de origem piauiense.

Moro no Twitter

O magistrado ocupará a vaga do decano da Corte, ministro Celso de Mello, que antecipou a aposentadoria para o dia 13 deste mês. O decreto da concessão da aposentadoria antecipada também foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta.

Celso de Mello teria que se aposentar em 1º de novembro, quando completa 75 anos. “Razões estritas — e supervenientes — de ordem médica tornaram necessário, mais do que meramente recomendável, que eu antecipasse a minha aposentadoria, que requeri, formalmente no última dia 22”, disse o decano a jornalistas.

Diante da decisão tomada e sem a possibilidade da volta atrás na condução de Marques ao Supremo, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro apagou do Twitter a mensagem em que ele criticava a indicação do desembargador ao Supremo.

Conselheira

“Se Jair Bolsonaro não indicar alguém ao STF comprometido com o combate à corrupção ou com a execução da condenação criminal em segunda instância, todos já saberão a sua verdadeira natureza (muitos já sabem)”, escreveu o ex-juiz.

Na véspera, Bolsonaro ironizou eleitores e perguntou se eles não queriam Moro no lugar de Kassio Nunes. “Você quer que eu troque o Kássio pelo Sérgio Moro? Vocês querem o Sérgio Moro ministro do Supremo? Será que ele vai ser um ministro leal às nossas causas? Será que ele vai ser aprovado no Senado?”, questionou, recebendo risadas dos apoiadores.

Amiga pessoal da família Bolsonaro, a desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso ajudou na indicação de Nunes. A advogada Lenise Prado, filha da desembargadora, foi até indicada como conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por Jair Bolsonaro, em 2019.

Clã Bolsonaro

Na mão inversa do também ex-juiz Sérgio Moro, seu fiel aliado nos tempos da Operação Lava Jato, o ex-procurador federal Carlos Fernando dos Santos Lima usou as redes sociais para afirmar que a indicação do desembargador Kassio Nunes para o Supremo Tribunal Federal (STF), feita por Jair Bolsonaro, está relacionada aos processos que envolvem os filhos do presidente.

“A escolha de Bolsonaro objetiva ter tranquilidade familiar com as acusações de peculato dos filhos. Simplesmente isso”, publicou Lima em se perfil, no Facebook.

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