Moro renuncia ao cargo e aponta preocupação de Bolsonaro com ação no STF

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 24 de abril de 2020 as 11:51, por: CdB

“Quando assumi, sabia dos riscos. Vou descansar um pouco. Nesses 22 anos foi muito trabalho. Quero dizer que, independentemente de onde eu esteja, vou estar à disposição”, disse Moro, ao se despedir do cargo.

Por Redação – de Brasília

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, desmentiu o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) ao negar que o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, demitido na madrugada desta sexta-feira, tenha pedido para deixar o cargo.

A campanha voltada para o pacote anticrime de Sergio Moro pode custar aos cofres cerca de R$ 10 milhões
O ex-juiz Sérgio Moro é, agora, ex-ministro da Justiça e disse que vai procurar um emprego

Segundo Moro, durante conversa com Bolsonaro, na véspera, ele disse que se não houvesse uma razão para demitir o diretor da PF, isso seria uma interferência política, com o que Bolsonaro concordou:

– ‘E é mesmo’, disse (o presidente) – revelou Moro.

Em pronunciamento público, nesta manhã, Moro deixou o Ministério, quase dois anos depois de deixar a magistratura e assumir o posto, a convite de Bolsonaro.

– Quando assumi, sabia dos riscos. Vou descansar um pouco. Nesses 22 anos foi muito trabalho. Quero dizer que, independentemente de onde eu esteja, vou estar à disposição – afirmou.

‘Inevitável’

O agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública acrescentou,  em seu pronunciamento, que desde o período da Operação Lava Jato sempre se preocupou com a possibilidade de interferência política na PF. Ele disse lamentar ter de tomar uma decisão durante a pandemia de coronavírus, mas disse que era “inevitável”.

– Não são aceitáveis indicações políticas – afirmou.

Moro falou em “violação de uma promessa que me foi feita inicialmente de que eu teria uma carta branca”.

– Haveria abalo na credibilidade do governo com a lei – acrescentou.

Moro havia imposto como condição para permanecer no governo que pudesse discutir com Bolsonaro o nome do sucessor de Valeixo à frente da PF, o que não aconteceu, de acordo com uma fonte com conhecimento da decisão do ministro de deixar o governo.

Crime

Ainda em seu pronunciamento à imprensa, Sergio Moro apontou mais um crime de responsabilidade de Jair Bolsonaro, o que apressa a abertura de um pedido de impedimento, na Câmara dos Deputados, onde há 24 pedidos pendentes nesse sentido. Segundo Moro, Bolsonaro quis trocar o comando da Polícia Federal para obter informações de investigações ligadas à sua família, o que representaria um crime de responsabilidade.

– O presidente me relatou que queria ter uma indicação pessoal dele para ter informações pessoais. E isso não é função da PF. Isso não é função do presidente, ficar se comunicando com Brasília para obter informações pessoais. Esse é um valor fundamental que temos que preservar dentro de um Estado democrático de direito – declarou, citando novamente o nome da ex-presidente Dilma Rousseff, sobre quem já havia reconhecido ter dado autonomia à PF durante o período da Lava Jato.

Demissão

Moro, um pouco antes, havia explicado que não era verdadeira a versão de que Maurício Valeixo, demitido da diretoria da PF, teria pedido para sair.

– Há informações de que o Valeixo gostaria de sair, mas isso não é totalmente verdadeiro. O ápice da carreira de qualquer delegado é o comando da Polícia Federal. Depois de tantas pressões para que ele saísse, ele até manifestou que seria melhor sair – explicou.

Ainda segundo o ex-ministro, “temos que garantir a autonomia da Polícia Federal contra interferências políticas”.

– Ele havia me garantido autonomia. Poderia ser alterado o diretor da Polícia Federal desde que houvesse uma causa consistente. Então realmente é algo que eu não posso concordar. Vou começar a empacotar minhas coisas e dar sequência à minha carta de demissão – concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *